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Uma boa notícia…

Por mais que se discorde das medidas que têm sido tomadas pelo atual Governo, creio haver uma decisão que a maioria dos portugueses (especialmente os que gostam de futebol) não tomará de ponta. Refiro-me à decisão de obrigar os canais televisivos a transmitirem, na próxima temporada, um jogo por jornada em canal aberto. Tempos houve em que cabia à RTP a emissão de uma série de jogos de futebol por época, tidos que eram como “serviço público”. Os canais privados (SIC e TVI) vieram à praça “reclamar” o seu direito de lhes caber também essa função – sendo certo que o futebol dava audiências.

Carlos Manuel Ruella Santos
2 Jan 2014

Todavia, com o andar da carrugem, nem a SIC, nem a TVI, nem a pública RTP passaram a interessar-se por esse tipo de transmissões, com o argumento de que a aquisição dos respetivos “direitos” era demasiado cara e não compensava finaceiramente.
Tenho sérias e fundadas dúvidas sobre a veracidade da argumentação apresentada pelas estações televisivas. E isto porque todos os canais de sinal aberto (o público e os privados) continuaram a fazer “rolar o marfim” da bola, com programas de “conversa da treta”, mesmo sem a emissão de imagens (exceto as dos chamados “resumos”, que, na prática, pouco ou nada mostram dos noventa minutos de um jogo).
Mas, independentemente de haver ou não fundamentados motivos para a “exclusão” dos jogos nos canais de sinal aberto, a verdade é esta: os portugueses que gostam de futebol e que, nestes tempos de parcos recursos, deixaram de ter rendimentos suficientes para custearem a Sport TV, ficaram completamente privados do visionamento, em suas casas, de (pelo menos) um “joguinho” semanal da 1.ª Liga.
Ou seja: os portugueses que gostam da bola e que maiores carências apresentam, como se lhes não bastassem já essas dificuldades, para verem esse “joguinho”  passaram a ter de recorrer aos amigos ou, então, frequentar estabelecimentos de restauração (especialmente cafés), com as despesas inerentes…
Reconheço que noutros tempos “havia demasiada bola” na televisão, nomeadamente na RTP, sobretudo quando o número de emissões dedicadas a este desporto ficavam (em seu benefício) a léguas de distância do tempo aplicado a outras modalidades desportivas.
Os tempos, porém, mudaram. E do “excesso” de futebol na televisão passou-se à escassez absoluta, a… “nada”. Situação que prejudica essencialmente os mais pobres, cujo dinheiro não chega para custear canais codificados – sendo já obrigados, sabe Deus com quanto sacrifício, a pagar a “taxa” do audiovisual…
Por estes motivos, é bem vinda a anunciada decisão de incluir no conceito de “serviço público” de televisão um jogo por jornada, a emitir em canal aberto. Deseja–se, todavia, que não nos “ofereçam” apenas os jogos que a Sport TV… não queira emitir!
De qualquer forma, esta é uma boa notícia para a época de 2014-2015. Só esperamos que, entretanto, não surjam obscuros “interesses” que levem o Governo a mudar de ideias!




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