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Fraternidade e Paz

1Celebrou-se ontem o XLVII Dia Mundial da Paz. Com data de 08 de dezembro, o Papa Francisco tornou pública uma mensagem propondo como tema de reflexão: «Fraternidade, Fundamento e Caminho para a Paz».2. Começa o Papa Francisco por recordar a vocação do ser humano à fraternidade.
«No coração de cada homem e mulher habita o anseio duma vida plena que contém uma aspiração irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com os outros, em quem não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e abraçar».

Silva Araújo
2 Jan 2014

«Nos dinamismos da história – independentemente da diversidade das etnias, das sociedades e das culturas –, vemos semeada a vocação a formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros».
A correspondência a esta vocação depende da forma como os homens usam da sua liberdade. E é forçoso reconhecer, lembra o Papa, que, «ainda hoje, esta vocação é muitas vezes contrastada e negada nos factos, num mundo caraterizado pela ‘globalização da indiferença’ que lentamente nos faz ‘habituar’ ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos».
A confirmar isto, alerta para «a grave lesão dos direitos humanos fundamentais»:
«As inúmeras situações de desigualdade, pobreza e injustiça indicam não só uma profunda carência de fraternidade, mas também a ausência duma cultura de solidariedade. As novas ideologias, caraterizadas por generalizado individua-lismo, egocentrismo e consumismo materialista, debilitam os laços sociais, alimentando aquela mentalidade do ‘descartável’ que induz ao desprezo e abandono dos mais fracos, daqueles que são considerados ‘inúteis’. Assim, a convivência humana assemelha-se sempre mais a um mero do ut des (dou–te, para que me dês) pragmático e egoísta».
«As graves crises financeiras e económicas dos nossos dias – que têm a sua origem no progressivo afastamento do homem de Deus e do próximo, com a ambição desmedida de bens materiais, por um lado, e o empobrecimento das relações interpessoais e comunitárias, por outro – impeliram muitas pessoas a buscar o bem-estar, a felicidade e a segurança no consumo e no lucro fora de toda a lógica duma economia saudável».
3. A vivência da fraternidade há de levar-nos ao reconhecimento da existência de um Pai comum, Deus:
«A raiz da fraternidade está contida na paternidade de Deus. Não se trata de uma paternidade genérica, indistinta e historicamente ineficaz, mas do amor pessoal, solícito e extraordinariamente concreto de Deus por cada um dos homens. Trata-se, por conseguinte, de uma paternidade eficazmente geradora de fraternidade, porque o amor de Deus, quando é acolhido, torna-se no mais admirável agente de transformação da vida e das relações com o outro, abrindo os seres humanos à solidariedade e à partilha ativa».
Recusando-se a aceitar esta paternidade comum, as «éticas contemporâneas, diz o Papa, mostram-se incapazes de produzir autênticos vínculos de fraternidade, porque uma fraternidade privada da referência a um Pai comum como seu fundamento último não consegue subsistir. Uma verdadeira fraternidade entre os homens supõe e exige uma paternidade transcendente. A partir do reconhecimento desta paternidade, consolida-se a fraternidade entre os homens, ou seja, aquele fazer-se ‘próximo’ para cuidar do outro».
4. Se, verdadeiramente, pretendemos a paz, temos obrigação de educar para a vivência de uma fraternidade aberta a todos, onde «o outro é acolhido e amado como filho ou filha de Deus, como irmão ou irmã, e não como um estranho, menos ainda como um antagonista ou até um inimigo.
Na família de Deus, onde todos são filhos dum mesmo Pai e, porque enxertados em Cristo, filhos no Filho, não há ‘vidas descartáveis’. Todos gozam de igual e inviolável dignidade; todos são amados por Deus, todos foram resgatados pelo sangue de Cristo, que morreu na cruz e ressuscitou por cada um. Esta é a razão pela qual não se pode ficar indiferente perante a sorte dos irmãos».
«Mesmo nas disputas, que constituem um aspeto inevitável da vida, é preciso recordar-se sempre de que somos irmãos; por isso, é necessário educar e educar-se para não considerar o próximo como um inimigo nem um adversário a eliminar».
A educação para a fraternidade começa na família. «Convém lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças sobretudo às funções responsáveis e complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe.
A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor».
No entanto, é a família que as tais éticas contemporâneas se empenham em destruir.
5. É imperioso o regresso a Deus, nesta sociedade materialista onde há pessoas influentes que se orgulham do seu ateísmo ou agnosticismo.
É necessário «que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada, anunciada e testemunhada; mas só o amor dado por Deus é que nos permite acolher e viver plenamente a fraternidade», diz o Papa Francisco, em conclusão.
«Cada atividade, afirma também, deve ser caraterizada por uma atitude de serviço às pessoas, incluindo as mais distantes e desconhecidas. O serviço é a alma da fraternidade que edifica a paz».




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