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No adeus a 2013 – Prosseguir o sonho!

Chegados ao último dia de 2013, é tempo de olhar para trás e de aproveitar os ensinamentos do passado para projetar o futuro com mais sabedoria, sem nunca desistir de sonhar. Ao examinarmos o que foi dito e escrito ao romper do ano que agora finda, respiraremos por certo mais aliviados. Nessa altura desenharam-se cenários catastróficos e auguraram-se fatalidades que, apesar dos enormes obstáculos que houve necessidade de vencer, não se concretizaram.

J. M. Gonçalves de Oliveira
31 Dez 2013

Os mensageiros da catástrofe que prognosticaram a impossibilidade de Portugal cumprir os compromissos assumidos com as instâncias internacionais, de manter a estabilidade governativa e de assegurar a paz social viram as suas previsões desfeitas pela realidade presente. É verdade que não foi fácil!
Neste longo e doloroso caminho percorrido existiram momentos de imensa dúvida e de grande inquietação. Para o exemplificar basta lembrar a crise política do último verão, as greves levadas a efeito pelas centrais sindicais e algumas decisões do Tribunal Constitucional que colocaram o país suspenso. No entanto, apesar destes e de outros embaraços que foi necessário ultrapassar, hoje estamos em condições de enfrentar o amanhã com maior convicção e com renovada esperança.
Na antecâmara de um novo ano, dominadas muitas das dificuldades que alguns julgavam insuperáveis, é tempo de abraçar o futuro com otimismo comedido. No prelúdio de um ano, que assinalará quatro décadas do regime emanado da Revolução de Abril, será útil concluir o exercício de memória para fazer um balanço imparcial, considerando o que eramos, o que somos e o que pretendemos ser.
Retrocedendo à década de setenta do século passado, recordaremos sem esforço um país eminentemente rural, maioritariamente analfabeto e onde a pobreza e a desigualdade de oportunidades eram características evidentes. Éramos um povo genericamente resignado, com hábitos alimentares que giravam à volta dos instintos de sobrevivência, uma parte significativa vivendo em habitações que se assemelhavam a uma grosseira evolução de primitivas cavernas e altamente inculto.
Nos últimos quarenta anos, apesar de todas as vicissitudes e erros ocorridos neste já longo percurso, conseguimos um patamar de desenvolvimento dificilmente sonhado pelos nossos avós. Embora naturalmente ávidos de querer sempre mais e melhor, nunca será excessivo esmiuçar tempos passados para reconhecer a felicidade de poder vivenciar a época que atravessamos.
Há um ano atrás, cercados por negros horizontes onde a expectativa era pouco mais do que renúncia e sofrimento, só os mais arrojados otimistas prediriam que pudéssemos chegar ao prólogo de 2014 com sinais promissores, ainda que débeis, de um novo período de crescimento e de progresso.
É verdade e não se deve esquecer que para aqui chegar houve gente imolada pela crise. Gente que perdeu a casa e o emprego e gente que até teve de emigrar. Gente para quem o verbo sofrer foi conjugado na primeira pessoa.
No prometedor ressurgimento da nova era que todos ansiamos, é indispensável não esquecer essas pessoas que padeceram as maiores penosidades no percurso que tivemos que fazer. Para tal, mais do que manter o rumo sem obediência cega, é imperioso não repetir os erros do passado, nem iludir o futuro com excessos de confiança capazes de ensombrar o destino que todos desejamos.
Na lógica desta breve análise (o que fomos e o que já conseguimos), na véspera de um novo ano que desejamos venha a ser o início de um novo ciclo, nada mais resta do que delinear o Portugal que pretendemos para as gerações presentes e vindouras.
Devemos ambicionar ser um país economicamente sustentável, continuar a ter saúde e educação acessível a todos e onde o trabalho e o mérito sejam recompensados. Desejar pertencer a uma sociedade cada vez mais livre e responsável, onde os mais frágeis nunca sejam rejeitados. Querer fazer parte de um Portugal mais desenvolvido, mais fraterno, mais solidário e, deste modo, mais feliz.
No adeus ao ano que hoje termina, não só cheio de sofridos tormentos mas também de expressivos avanços, é preciso prosseguir o sonho e pensar que, mais uma vez, fomos capazes de dobrar o cabo da boa esperança.




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