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Natais tempestuosos

1 – O Natal e a superioridade moral do Cristianismo). É seguramente por esta época do ano que somos mais chamados a reflectir sobre o valor e a autenticidade da nossa religião, o Catolicismo cristão. E normalmente a grandeza e a verosimilhança dos factos e a solidez da Fé saem reforçadas. Surge então a natural comparação da nossa mensagem com as das outras religiões. E dá para se perceber a superioridade moral, a valorização da tolerância, a elevação dos propósitos. Pena é que, na política dos Estados cristãos, raramente tenha havido épocas em que, ao longo de 2 mil anos, se tenha procurado (e conseguido…) implantar uma verdadeira “cultura cristã”.

Eduardo Tomás Alves
31 Dez 2013

Não me refiro, é claro, ao sentido de qualquer fundamentalismo católico (ou protestante), como intolerante “religião oficial do Estado”, sistemas longamente praticados mas com consequências mais negativas que positivas. O Cristianismo civilizacional está hoje porém bastante expectante perante os perigosos avanços da outra religião monoteísta (o Islamismo). E também perante o vazio e cavalgante pseudo-cientismo da cada vez mais invasiva e insuportável Tecnologia. Um dia, esta perderá o combate com a Religião. O problema, é se a vencedora for outra religião que não o Cristianismo.
2 – Um Natal tempestuoso). O Natal deste ano de 2013, atendendo até à superstição “numerológica”, só podia ser um Natal chuvoso e tempestuoso, a culminar um ano que para muitos foi de sacrifícios e privações. Um “grande bem-haja”, pois, às despesas das barragens e auto-estradas do dr. Sócrates e ao erro de termos aceitado a moe-
da única (e as suas consequências)… Em Portugal e no centro da Europa, o mau tempo foi outra vez rei, lembrando outros Natais, há anos atrás. A mim lembrou-me logo um, há pouco mais de 20 anos. Não consigo precisar ao certo se o que vou contar a seguir se passou exactamente no Natal, mas foi nessa quadra. Já vi Natais com chuva, com sol, com o céu de inverno estrelado e iluminado pela lua cheia. Mas naquele ano recordo a chuva. E na noite de que falo, a chuva a cântaros. O episódio que vou contar é seguramente uma das coisas mais poéticas e improváveis que aconteceram na minha modesta vida. E houve decerto outras e bem curiosas, nem os leitores imaginam.
3 – O homem que conheci na véspera do seu naufrágio). Especialmente do lado da minha família materna, centrada na Feira, sempre houve o gosto de registar oralmente histórias do seu passado, uma das quais contei há anos aqui, no  DM, sob o título “Jaguarão por um açafate de ouro”. Até a minha mãe, que viveu a infância e quase toda a juventude em Ovar, contava as do seu tempo. Foram anos felizes, em que convivia com a melhor sociedade da vila (p. ex. Júlia C. Pinho, a mãe do cantor José Freire, era amiga íntima da minha avó). Entre os muitos amigos dessa época, a minha mãe falava de um, o Chico Ramada, muito apreciado por uma bonita prima dela, meia ribatejana. Era filho do Ramada “velho”, o grande industrial vareiro, que depois de duas falências, conseguiu fundar um empório ligado ao aço, a F. Ramada, mais tarde Ramada-Dexion, com cotação em Bolsa. Curiosamente, Chico Ramada acabou por casar em Oliv. de Azeméis, com Virgínia, uma das filhas do dr. Tomás Fernandes, advogado e jornalista, dono da já extinta “Voz de Azeméis”. Este último, que morreu com 90 anos, era sobrinho de D. Tomás G. Almeida (m. 1903), bispo de Angola, Goa e da Guarda. E era primo da minha bisavó paterna. Nascera na “célebre” Casa da Mouta, em Castelões, V. de Cambra (lamento, amigos limianos, mas foi aqui mesmo que nasceu a minha 5.ª avó, Joana da Cruz, mãe de um “bravo do Mindelo” e avó de António Luís Gomes, min. do Fomento do 1.º governo da República, em 1910). E naquele inverno eu fui à velha casa do advogado em Oliveira, desejar boas-festas e saudar a sua neta Fátima Ramada, minha colega de Coimbra e já notária no Alentejo. Era noite e chovia a potes. Quando já me despedia, entra inesperadamente Francisco Ramada, alto e elegante, a gabardine branca coberta de água. É Fátima quem nos apresenta, há uma breve troca de palavras e saio. A minha curiosidade de conhecer de perto “o Cavalinho” estava satisfeita. Ele ia no dia seguinte velejar no seu barco. E morreu nesse mesmo dia, no difícil mar da Póvoa. Falei pois com ele, no penúltimo dia em que o podia fazer. É o destino. Mas há mais. A 1.ª vez que o vira, mau agoiro, de noite e ao longe, fôra 15 dias antes, num velório na Vergada (Argoncilhe, Feira). Do snr. Luís, irmão da minha tia-avó por afinidade, Célia Alves Ribeiro, parente do escritor Manuel Laranjeira.




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