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Em busca da espiral perdida

Por vezes fica-se com a sensação que algumas pessoas preferem ver o país mal do que ver as próprias teses desmentidas pela realidade. Só assim se pode compreender que tanto se afadiguem em desvalorizar sinais positivos que, a pouco e pouco, se vão confirmando sobre a economia nacional. O incómodo chega ao ponto, imagine-se, de agora até questionarem a credibilidade do próprio Banco de Portugal. Instituição que, diga-se o que se disser, a nível técnico sempre se pautou por independência nas suas análises e estudos.

Nuno Reis
30 Dez 2013

A mensagem não agrada, ataque-se o mensageiro! Não consta que esses pretensos ideólogos do regime ou paladinos do socratismo perdido tenham dito alguma coisa ou reclamado o que quer que fosse quando, sob  a liderança de Vitor Constâncio, por passividade ou qualquer outra razão, se tenha desvalorizado os sinais que o BPN ia dando quanto ao que se veio a revelar ser um verdadeiro caso de polícia. Mas já quando a instituição, no âmbito do que é a sua actividade de rotina de análise macroenómica actual e prospectiva emite previsões que não agradam, então, aí sim, inaugura-se nova praxis política.
Mas, a pouco e pouco, de forma cabisbaixa mas não envergonhada, a tese da espiral recessiva vai sendo esquecida por aqueles que, de há um ano até há bem pouco tempo, a foram cuidando como diligentes progenitores.
Tenho dúvidas que essa forma de fazer política contribua para a credibilidade dos agentes políticos mas continuando a ser Sócrates o pai espiritual de muitos, não espanta a deriva a que o PS vai chegando.
De qualquer das formas a realidade vai desmentindo as aves mais agoirentas.
Que Portugal tenha registado dois trimestres consecutivos de crescimento de emprego, algo que já se não verificava desde 2008, há 5 anos, é significativo.
Assim como é significativo em termos de realidade comparada perceber que no último trimestre Portugal foi de entre os 28 países da União, o que registou maior crescimento de emprego. Dirão alguns que a base é baixa. Talvez, mas também é importante que se reconheça que para sair de um “buraco” é sempre preciso parar de “cavar”.
Também a nível da produção industrial os sinais começam a ser positivos. Depois de já ter registado um crescimento homólogo em Setembro, em Outubro o índice de produção industrial cresceu  para +3% em comparação com Outubro de 2012, um valor acima da média da UE que se ficou pelos +0,8%.
Perceber que no ano passado, por esta altura, se criava uma nova empresa por cada duas que encerravam portas e que hoje, precisamente, há duas novas empresas a nascer por cada uma que não se aguenta, é um sinal revelador.
Como é revelador, diria mais inspirador, que o crescimento das exportações nacionais em 2012 e 2013 se tenha explicado, em 70%, por vendas a países fora da União Europeia, mercados que não eram tradicionalmente os de eleição das empresas portuguesas. As empresas portuguesas conquistam quotas de mercado em sectores que, ao contrário do que afirmam os tais paladinos da espiral recessiva, não se confinam ao petróleo e derivados ou à refinaria de Sines: madeira e derivados, papel, pedras preciosas, borracha e derivados, mobiliário, são os sectores que mais quota de mercado internacional conquistaram por parte de empresas portuguesas. Significativo e não de desvalorizar, até porque a perspectiva é que as exportações continuem a crescer nos próximos tempos.
Mas “a maçada” que estes sinais parecem representar para os defensores da espiral recessiva não se fica por aqui. A OCDE, o Banco de Portugal, o Credit Suisse, em vários estudos perspectivam um melhor comportamento da nossa economia quer em 2013 quer no horizonte 2014-2015 por comparação com as próprias previsões do Governo.
Manda a prudência que não se embandeire em arco com estes dados. Mas, que diabo, que se diga de uma vez por todas que é preferível comentá-los do que a outros que pudessem efectivamente confirmar a tal espiral recessiva!
Até porque isso significaria mais pessoas no desemprego, mais empresas a fechar, piores perspectivas futuras, crescimento da emigração. Que a realidade desminta os ideólogos do socratismo é um preço bem mais simpático a pagar! Por muito que lhes afecte o ego ou que o Banco de Portugal seja atacado pela perda de algumas estribeiras.




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