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O medo e o silêncio, a nova face da clandestinidade!

O medo, convertido em silêncio, no contexto da não manifestação discordante sobre matérias do interesse coletivo, individual, ou outro, é um comportamento social que reflete um clima que se constata em crescendo na sociedade Portuguesa:– O medo em não aceitar a oportunidade de emprego, seja ela qual for.
– O medo em não concordar com o salário.
– O medo em não concordar com a precariedade do posto de trabalho.
– O medo em assumir publicamente discordância com quem se instala no poder.
– O medo em reclamar pública e criminalmente dos serviço de saúde recebidos.
– O medo em reclamar dos serviços de ensino ministrados aos filhos.

António Fernandes
29 Dez 2013

– O medo em dizer publicamente que não há local onde deixar os pais já envelhecidos e que carecem de apoio.
– O medo em dizer publicamente que não há local onde deixar os filhos diferentes.
– O medo em reivindicar direitos elementares à vida com dignidade!
– O medo que comporta todos os medos que lhe são intrínsecos!
– Medo em dizer: – Não! Ao que quer que seja.
– O medo que atrofia a mente. A vontade. O discernir. O lutar!

Medo que ganha raízes tentaculares ao acantonar-se como pilar do raciocínio social e se torna estigma de silêncio. Assumindo forma de conduta com reflexo comum de regra de funcionamento coletivo essencial para que não haja sobre si o exercício de represália.
O medo, empurra assim, toda a manifestação de discordância para uma circunstância de clandestinidade. Onde tudo se diz sobre as formas de contornar a legislação em vigor com enfoque maior para a Constituição da Republica Portuguesa que consagra direitos e deveres.
Clandestinidade que presumivelmente protege o designado por “núcleo duro” embrionário.
Desde a perseguição no seio de quase todos os setores das forças vivas da sociedade organizados nos âmbitos social, político, profissional, ou outro, visando o seu controlo. À atemorização de setores essenciais na divulgação da opinião e também, onde a justiça se exige, seja justa!
No entanto, a clandestinidade, é o único método que permite discussão ampla e confinada. Porque, se a uns, o medo e a clandestinidade obrigam ao secretismo, a outros, salvaguarda a identidade e a ocorrência.
Decorrem desta movimentação clandestina, inúmeras atividades que desembocam em movimentações coletivas de protesto, contrárias a interesses instalados, de forma a humanizar o interesse, porque por de trás de todos os interesses o que está sempre em causa é o interesse comum.
Não fosse esta dicotomia do interesse, e o medo não teria razão de existir.
O medo existe porque baliza e coage o comportamento social. Impõe regras invisíveis de distanciamento entre as pessoas e os interesses que lhe são afetos.
O medo é sempre consequência. Nunca é opção de conduta em liberdade efetiva!
Daí que a movimentação clandestina de vastos setores da sociedade seja uma necessidade evidente na organização da defesa dos seus direitos, liberdades e garantias. Não só porque é a única forma de trazer a si o somatório de problemáticas a que a “face legal” não responde. Mas também porque salvaguarda a identidade permitindo durabilidade aos métodos ajuizados de resolução de processos, sem represálias individuais.
Esta nova forma de movimentação clandestina vem colocar a nu fragilidades de uma democracia que assenta raízes na demagogia e na tecnocracia. E também porque a transição educativa entre gerações deixou arreigados medos antigos a que os cenários atuais dão razão coletiva e aos quais acrescentam novos medos que as novas gerações tem dificuldade em aceitar. Novas gerações que reclamam das gerações antecedentes responsabilidades incontornáveis. Tanto de sucessão como na resolução de erros cometidos e que afetam em profundidade a qualidade de vida expectável para os próximos anos. Qualidade de vida essa que por estar ameaçada exige a reposição dos equilibrios sociais necessários que permitam augurar melhoria geral da qualidade de vida.
Não se devendo concluir ser, através da cobrança desmesurada de impostos que se encontrarão as soluções mais eficazes. Ou da emigração de gerações de cidadãos especializados onde o Estado investiu o que tinha e o que não tinha. Ou da concentração da riqueza que gera pobreza e que como consequência gera o medo!
Esse medo que condiciona a palavra e a ousadia. Que condiciona a liberdade. E que tudo remete para o silêncio. Medo esse que encontra na clandestinidade a melhor forma de se exprimir e de se libertar!




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