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Tempo de reflexão

Quadra Natalícia. Tempo da família e dos afectos. Tempo de aproximarmos sentimentos e de revelarmos a vitalidade dos elos familiares. Quadra natalícia é a apoteose da família por excelência e da concórdia entre os seus membros. A família sempre viva e em primeiro lugar, apesar de todas as artimanhas desencadeadas pelos novos pioneiros das amplas liberdades para destruir esta vivência em comunhão. Sim, viver em comunhão, com autenticidade e com objectivos bem precisos para resistir aos panegíricos sofismas de uma nova ordem, sem ordem, desnatural e anticivilizacional.

Armindo Oliveira
28 Dez 2013

A família é a barreira contra a demagogia e contra a libertinagem dos arautos das igualdades plenas. É, justamente, isso que querem. Criar dificuldades para as tornar vulneráveis e conduzi-las para o campo das promiscuidades e das mentiras e irracionalidades conjugais.
Família, recanto de tolerância e de partilha de afectos e também de dores. É verdade, de dores e algum sofrimento, muitas vezes vivido com a cumplicidade do silêncio. É preciso saber sofrer, saber aguentar as dificuldades do quotidiano, sem vacilar, com coragem para se reforçar a identidade dos seres diferenciados que se entrelaçaram para prosseguir um caminho maravilhoso a dois. Sofrer para se dar o verdadeiro valor do significado de se viver juntos na realização de sonhos que se projectam nos filhos. Família, sem dúvida, espaço de sonhos, de projectos, de calor. Família, espaço, de momentos bons e de momentos menos bons. De grandezas e também de frustrações. De prazeres e de desgostos. Mas sempre coesa, sempre viva e sempre amiga. Sempre um espaço de bem-estar.
Família, paz, amor, cumplicidade. O refúgio sagrado das nossas ansiedades e das incompreensões de um mundo que corre frenético para o horizonte do nada. Sem rumo e sem dar tempo de erguermos a cabeça para respirarmos um pouco de tranquilidade e de calor humano. Um mundo insensível e movediço construído ao sabor dos interesses de poucos que assenta os seus pilares na desgraça de muitos. Ao menos, agora, nesta quadra da anunciação de liberdade, de justiça, de fraternidade e de humildade desça sobre o nosso espírito a clareza e a certeza de podemos calcorrear, neste breve instante, um caminho de paz e de alguma felicidade.
Natal, tempo de olharmos um pouco para o exterior e deixarmo-nos embalar pelo encanto da mensagem de Jesus. Mensagem de amor e de paz. Mensagem que irradia calma, entrega e união. Tempo de sentirmos com mais intensidade as agruras de uma sociedade manietada e corrompida pelo ter e pelo consumismo, num cenário de predação e de luta constante, em busca do efémero que se esgota num piscar de olhos.
Mas, os caprichos esguios das futilidades económicas e das negras realidades sociais surgem a cada momento diante de nós para nos avisar que o mundo, este mundo, se encerra nos levantamentos no multibanco, nas engenharias financeiras, nas estatísticas encomendadas, nos balanços das vendas da época, nas políticas sectárias dos partidos que vesgos não conseguem vislumbrar a exclusão e a miséria, que gira ao nosso lado. Tudo numa aspereza incontrolável e irracional. Tudo num mundo de aparências e de ilusões.
É preciso parar por uns breves momentos para reflectir na nossa caminhada e reconstruir outro “mundo” que nos conceda o privilégio de vivermos com tranquilidade, com afectos e com verdade.




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