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Por que envelhecemos?

A poucos dias de 2014 já quase todos contamos mais um ano de vida e sem nos apercebermos, a idade vai aumentando. Mas não é por passar mais um ano que envelhecemos! O envelhecimento acompanha-nos todos os dias, e enquanto algumas pessoas tentam combate-lo a todo o custo, outras aceitam-no e vivem bem com isso. O modo como vemos a velhice é relativo. Para uma criança, ser velho pode significar ter apenas mais de 20 ou 30 anos, para uma pessoa de meia-idade talvez a velhice só comece após os 80. Há mesmo quem não se sinta a envelhecer, até que alguém lhe diga: “estás a ficar velho”. Dizemo-lo porque vemos cabelo grisalho, pele enrugada, manchas na cara, e percebemos que o corpo começa a falhar em certas atividades.

Marina da Costa Maciel
28 Dez 2013

Mas porquê? Entender o envelhecimento tem sido um grande mistério para a comunidade científica. Por ser uma área recente, são poucas as certezas e muitos os modelos que competem e cooperam para explicar, ao mesmo tempo, como envelhecemos e como o poderemos evitar.
Existem vários fatores que contribuem para os danos e reparações celulares, afetando a velocidade a que envelhecemos: a dieta, a prática de exercício físico ou o stresse ambiental. Mas é nas células que se pensa estarem as causas do envelhecimento. O nosso organismo é composto por biliões de células que contêm o ADN empacotado nos cromossomas. As células têm a capacidade de se dividir constantemente, dando origem a novas cópias de ADN. Acontece que esta replicação não é perfeita, e a cada divisão os cromossomas encurtam. Para proteger a informação contida no ADN existem, na extremidade dos cromossomas, os telómeros, que evitam a perda de material genético importante. Os telómeros, que são essencialmente repetições de ADN sem sentido, ficam mais curtos com as divisões até que desaparecem, impedindo a continuidade da divisão celular. Assim, o nosso corpo não consegue renovar as células e começamos a envelhecer.
Todos sabemos que o oxigénio é imprescindível à vida. Paradoxalmente, também é ele que nos “mata”! Veja o que faz à manteiga, ao vinho, a uma maçã acabada de cortar, ou a um pedaço de ferro. Precisamos de oxigénio para obtermos energia, mas a sua utilização gera subprodutos tóxicos – os radicais livres de oxigénio. O stresse oxidativo provocado por esses radicais causa danos nas células e em todos os órgãos. Quando as células se tornam incapazes de eliminar estes subprodutos, lá aparecem as manchas “da idade”.
Retardar a velhice implica compreender a relação entre vários processos: melhorar os telómeros, reduzir os danos dos radicais livres, desenvolver compostos que aumentem a longevidade, são alguns dos desafios. O assunto é controverso e a busca do elixir da juventude está a abrir novos caminhos na investigação científica. Será possível prolongar a vida por mais de um século? Em que condições? O certo é que “todo o homem desejaria viver por muito tempo, mas nenhum homem gostaria de ser velho”. A ciência procura respostas e já esteve mais longe de as encontrar…




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