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O queniano “os turbulentos” e… eu

De há uns tempos a esta parte que andava intrigado com o facto de inúmeros colegas, maioritariamente de EF, com passado essencialmente em desportos coletivos terem aderido às corridas de longa duração. Correspondendo à insistência de alguns e aos treinos que já venho fazendo há anos (futsal às 4.ª e 6.ª) decidi (tentar) acompanhá-los na S. Silvestre de Braga. Entre muitos conhecidos, estavam os “turbulentos”, equipa que integra alguns dos que acima mencionei, e que me têm desafiado a fazer parte da mesma.

Carlos Mangas
27 Dez 2013

Sentindo-me “à experiência” tentei acompanhá-los no aquecimento, mas depressa optei por ir ao WC em corrida ligeira também, tal era o nervoso da estreia.Tendo como principal (e único) objetivo concluir a prova, coloquei-me na retaguarda da imensa mole humana aguardando o tiro de partida, acreditando que se tivesse de chegar à frente de alguém, tinha 9 km para os ultrapassar.
Já com sensivelmente km e meio percorrido, perguntei ao meu colega de corrida e de escola, se ainda vinha muita gente atrás de nós. Ele respondeu-me: “Está escuro, vejo poucos, mas vejo as luzes da ambulância”. Deduzi que o nosso ritmo era “fortíssimo” e definimos como objetivo, afastarmo-nos da ambulância. A descer o Campo da Vinha comecei a visualizar (apesar de não estarem marcadas) no asfalto aquelas linhas que aparecem nas maratonas indicando aos atletas o trajeto a seguir. Eu “via-as perfeitamente” e por isso fazia diagonais em estradas e passeios, de forma a encurtar distâncias. Já perto de completar uma volta ao percurso atingi outro objetivo, pois por breves centésimos de segundo corri lado a lado com um atleta queniano (o facto de ele ir na 2ª volta era um pormenor sem importância) e mentalmente senti-me a integrar uma equipa de “TURBO…lentos” “(o queniano e…nós”).
Concluída a 1ª volta em 29 minutos (o turbo queniano fez duas em menos tempo) alcançamos pouco depois uma colega de escola e da equipa dos turbulentos. Ainda deu para, numa zona escura, seguirmos duas outras atletas que tinham refletores nos calções, o que foi fundamental para nos dar ânimo acrescido e nos manter no percurso certo. Concluímos finalmente a prova com 59m09s o que diz bem do ritmo e cadência quase milimétrica com que cumprimos as duas voltas. O pior, pelo menos para mim, veio depois. Chegar ao carro, estacionado no piso -3 do parque subterrâneo, só foi possível graças aos elevadores. Mais tarde, já em casa, vi na net a “brilhante” classificação obtida: 786º na classificação geral, 232º no escalão etário correspondente. Como terminaram a corrida 859 atletas, tenho de considerar a minha prestação, muito acima do esperado. No entanto, no dia seguinte ao ler no facebook que alguém do grupo dos turbulentos marcava treino de ressaca às 17h, caí em mim. Ainda não tinham passado 24h, doíam-me músculos e articulações de que já não ouvia falar desde os tempos em que estudei anatomia no 1º ano da faculdade, e havia ìturbulentosî que iam fazer treino de recuperação?
Resta-me a consolação de ter terminado a prova, com centenas de testemunhas que o puderam comprovar e ter ouvido dizer com ironia sibilina que “tenho enorme margem de progressão”, mas a minha história de vida nesta modalidade deve ter tido o seu prólogo e epílogo no mesmo dia pelo que não sei se algum dia poderei integrar a equipa dos turbulentos (das duas últimas sílabas, talvez).




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