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O último virtuoso da bola

Numa altura em que, por via das festas natalícias, o futebol dá uma folga aos adeptos, a última jornada veio trazer uma animação extra. Por um lado, a competição ficou de repente mais animada porque o não-candidato Sporting foi alcançado pelos “candidatos oficiais”; por outro lado porque o não-candidato, embora continue em primeiro lugar, parece ter sido vítima de um autêntico assalto à mão armada, tal a violência com que reagiu ao empate caseiro frente ao Nacional da Madeira.

Manuel Cardoso
26 Dez 2013

Antes de mais nada devo dizer que Bruno de Carvalho tem razão quando diz que não havia motivo para assinalar falta ao jogador que marcou o golo anulado. Mas também não deixa de ser verdade que no mesmo lance o árbitro cometeu outro erro, este a beneficiar o Sporting, ao não assinalar como falta o empurrão de Montero. Mas compreende-se que o presidente do Sporting se limite a chamar a atenção para aquilo que considera ter sido o prejuízo do seu clube.
Neste momento, parece-me óbvio que esta posição radical de Bruno de Carvalho está inserida numa nova estratégia de posicionamento perante o trabalho dos árbitros: uma estratégia agressiva, uma espécie de posição de força destinada a “marcar terreno”. Por outro lado, esta posição de força acaba por colocar em segundo plano uma outra realidade: a exibição sofrível da equipa.
Quem não é adepto de nenhum dos três ditos “grandes” não tem dúvidas de que, regra geral, a tendência dos árbitros é para, em caso de dúvida, apitar em favor do clube com nome maior. Por outro lado, também me parece claro que nos últimos anos o Sporting tem sido o menos beneficiado dos três. Para os sportinguistas, este facto deve-se apenas e só à atitude passiva das anteriores direções, pouco propensas a entrar em acusações diretas aos árbitros.
Postas as coisas nestes termos, parece lógico que a tendência dos próximos tempos será a de vermos multiplicadas as reações intempestivas às arbitragens porque os benefícios serão diretamente proporcionais a essas queixas.
Portanto, não nos admiremos se nos próximos meses e nas próximas épocas se multiplicarem os casos de presidentes com vergonha de andarem no mundo do futebol, embora façam trinta por uma linha para lá chegarem. Presidentes que se envergonham do mundo em que vivem, presidentes que dizem não ganharem nada com o cargo, presidentes que dizem fazer sacrifícios enormes na sua vida pessoal. Mas, presidentes esses que não hesitam em insultar quem os precedeu no cargo, mesmo que adeptos do mesmo clube.
Bruno de Carvalho tem feito um excelente trabalho no Sporting. Ao contrário do que o leitor possa pensar, não é como bracarense que falo, até porque sempre afirmei que o mundo do SC de Braga é outro; é como adepto de futebol que falo e, embora esteja a ser um excelente presidente, há algo muito difícil de compreender: se o mundo do futebol o envergonha; se acusa de forma tão hostil os dirigentes dos outros clubes; se os árbitros são uma nódoa; se até os dirigentes anteriores do seu clube são uma desgraça, o que resta de bom no mundo do futebol? Só Bruno de Carvalho?




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