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A política e a diluição dos partidos no ser

De um modo muito genérico, vou declarar a realidade Política como arte ou ciência de governar, de organizar, de dirigir e administrar um povo, sob o teto de uma Constituição. Creio que todas as outras formas mais específicas de ver a Política têm o seu bebedouro nesta genérica declaração. Contudo, esta, embora suficientemente ajustada, tem o condão de se abrir a muitos credos ideológicos, aos quais não farei referência. Porém, todos eles devem ser superados, se não partirem, radicalmente, da nossa transcendental natureza, fundamento ôntico, único e global da nossa vida existencial e, portanto, de qualquer Constituição.

Benjamim Araújo
26 Dez 2013

Mais do que um apetitoso convívio num hotel de cinco estrelas ou de duas bandas de música, ao despique, em coretos contíguos, numa concorrida manhã de S. João, no Porto ou em Braga, aprecio, acompanhada de coçadelas de cabeça e outras manifestações, a exposição das argumentações, emotivas, vivas e calorosas, dos nossos deputados, na Assembleia da República, cada um com os seus espevitados credos políticos.
Geralmente, quando fala um deputado de um dado partido, o termo da oratória estoira numa trovoada de aplausos, com palmas e um incenso ondulante de ovações. Levantam-se os braços, como beligerantes paus de fafenses em disputas nas agitadas feiras. As outras bancadas, divergentes em credos políticos, estão caladas como petos, mas prontas a ripostar na próxima oportunidade.
É bonito, é cómico, é estonteante, a maneira como se gladiam com as espadas das argumentações. E assim, em aplausos democráticos, prosseguem os debates, na Assembleia da República. Essas louváveis e fecundas energias oratórias não foram acolhidas com agrado e simpatia pelas outras bancadas. E por que não? Porque cada fação exige que a sua perpetue, dogmaticamente, o seu modelo de governo, a sua organização, a sua administração. Se não for assim, morre. Está fora da carroça. Perde votos.
Que conotações podemos descortinar entre as Políticas, os Partidos, a Democracia e a Transcendentalidade da nossa natureza? Creio que estão nas suas conexões e integrações, ao constituírem a unidade. A realidade desta unidade está integrada e conectada na realidade da nossa natureza transcendental, única e idêntica a si mesma.
O homem, nas suas facetas de indivíduo e de pessoa, tem, categórica e imperativamente, de se dirigir, progressivamente, para a sua máxima plenitude, que brilha na estrela do ser.
O homem, como indivíduo, por imperativo do seu único ser, exige de todos a unidade na cooperação, na colaboração, na congregação, sem desvalorizações nem rejeições. O indivíduo opõe-se às fragmentações, às ruturas, divisões, às injustas desigualdades, às padronizações e fragmentações em quaisquer das vertentes da sua existência.
O homem, como pessoa, por imperativo da identidade do seu autêntico ser, busca o bom relacionamento consigo mesmo e com os outros, numa progressiva humanização em abertura ao bem, à aceitação, compreensão, compaixão, empatia e perdão, bem como abertura  à justiça, progresso, paz e felicidade.
Então, por decreto da transcendentalidade do ser, os partidos devem diluir-se nesta mesma transcendentalidade, onde a Democracia tem a sua sede e o povo o seu destino.
A Política, em conotação com a transcendentalidade, goza, em poder e autoridade, da função de gerir, governar, organizar e controlar a dialética dos contrários, que abotoam a nossa existência, para se integrarem  e sintonizarem, em superações, com a nossa autêntica natureza, tudo em ordem ao desenvolvimento material e espiritual da nossa existência.
É daqui que terão de sair os líderes políticos das Nações, após um estágio, com provas públicas, para lhes avaliar a competência e honestidade, em autonomia, liberdade e responsabilidade.
Politicamente, a nossa autêntica natureza exige um Homem para governar os homens, um Indivíduo para governar os indivíduos, uma Pessoa para governar as pessoas.




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