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A Educação Inovadora e a sustentabilidade das cidades

Parte III
Neste artigo só se usará a palavra empreendedorismo no seu início e apenas para salientar que o estamos a consumir de uma forma tão voraz, que tendencialmente tenderemos a subestimá-lo e até, em circunstâncias mais radicais, a achá-lo desprezível. Sendo uma opção questionável, mas justificada, preferimos falar em Inovação, aliando este conceito à dimensão multidisciplinar que ele traduz quando aplicável horizontalmente na sociedade e em todos os domínios, nomeadamente na aliança natural com a Educação. Esta sinergia, que esteve décadas arredada do léxico político, está em fase de ebulição no país e nas cidades onde se começa a medir os seus efeitos, mas, onde, também, se verificam atrasos na capacidade de intervenção dos seus gestores para determinar e/ou condicionar as opções nacionais em detrimento das necessidades locais.

Paulo Sousa, Paulo Sampaio, José Oliveira
23 Dez 2013

Por outras palavras, a dessintonia que se vive entre a orientação nacional da Educação e a realidade local tem condicionado e por vezes impedido o que se designa como Especialização Inteligente dos territórios urbanos intimamente ligada à formação e à Inovação que ela fomenta. Mais do que se preocuparem em ser “cidades educativas”, os gestores urbanos deviam preocupar-se com a definição de uma estratégia para a sua Economia gerenciadora de Valor sustentável. Apadrinhar a Educação, a Formação e os talentos dos seus principais agentes (os estudantes) é uma Missão que nos obriga a todos, mesmo que os meios pareçam escassos. Isso não pode ser uma desculpa.
Para aqueles que têm uma visão redutora associando o rendimento económico disponível como condicionante da aprendizagem ao longo dos ciclos educativos, basta olhar para os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística relativos às diversas regiões do país para perceber que não é bem assim. 
O rendimento médio no Minho está aquém do valor apurado para a média nacional, atingindo uma verba superior aos 5 mil euros/ano. Em contrapartida, a mesma região tem indicadores que batem a média nacional quer na pré-escolarização, quer no número inferior de taxas de retenção e desistência no ensino básico, quer ainda na conclusão do ensino secundário superior ao panorama médio nacional. Se quisermos acentuar a diferença, o Eurobarómetro sobre a qualidade de vida nas cidades revela que, no caso de Braga, 89% dos inquiridos está satisfeito com as escolas que tem. Os números não nos devem confundir nem ser pretexto para uma política de baixo rendimento ou de redução nos apoios institucionais catalisadores de Valor mas, sim, exemplo de como se pode fazer muito com pouco.
Mas voltemos à Especialização Inteligente e ao que pode condicionar a estratégia em torno dos principais vetores do desenvolvimento sustentável para lembrar que depende da visão de longo prazo abraçada em conjunto pelos gestores urbanos, escolas primárias, c+s, secundárias, profissionais, universidades e o setor empresarial, a viabilidade económica do território e a justificação para a diferenciação educativa.
O caminho é longo mas tem de ser trilhado com persistência e Resistência ao facilitismo para inverter a atual realidade assente no número reduzido de licenciados e de técnicos especializados, e no novo fenómeno que constitui a “fuga de cérebros”. Seremos competitivos como cidade se formos capazes de desenhar uma estratégia que estanque a sangria e potencie os melhores (sem exclusão de ninguém), porque deles depende a liderança inovadora.
Nesse contexto, é importante que a abordagem em torno da Especialização Inteligente interaja com os objetivos para a Europa em 2020 em matéria de Educação e Aprendizagem mas, mais do que isso, potencie o que cada região, cidade ou vila têm de bom, ou escolhe como o melhor para si, recusando a velha prática do “me too” tão bem identificada pela Centro de Inovação Inteli no seu “cities brief” e tão prosaicamente cultivada pelo mais comum dos portugueses sempre que o vizinho do lado tem sucesso.




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