Fotografia:
Viagens de Natal

Primeiro Versalhes. Numa antiga vilória rural, agora já nas franjas da grande cidade-luz, Luís XIV, o rei-sol, mandou transformar um antigo pavilhão de caça num dos mais opulentos palácios do mundo, de onde passou a emanar o poder do “ancien régime”. Naquela manhã, um frio do norte deixava-nos as orelhas e as mãos frias como cristal mas, depois da visita aos excessos hiperbólicos do palácio, lá fomos, incógnitos na babel de turistas a disparar fotografias, deambular pelos jardins formais criados pelo paisagista André Le Nôtre, que viriam a fazer escola e estilo: “parterres”, canais, fontes, estatuária, alamedas traçadas a régua e esquadro, simetria, perspectiva e topiária (poda das plantas com o objectivo de lhes conferir formas geométricas ou ornamentais). Foi uma visita em que o excesso e a beleza do supérfluo e do grandioso se sobrepuseram ao frio polar que cortava as alamedas talhadas dos jardins.

Fernanda Lobo Gonçalves
21 Dez 2013

Depois, já na cidade propriamente dita, no trajecto que fazíamos, a pé, entre o Museu do Louvre e o Arco do Triunfo, visitámos essa jóia que dá pelo nome de “Petit Palais”, microcosmos das belas artes, construído, na margem direita do Sena, para a grande Exposição Universal de 1900. Possui uma belíssima fachada com cerca de 150 metros de comprimento e só é “petit” por oposição ao “Grand Palais” que lhe fica defronte, ambos na Avenida Winston Churchill. Pintura, escultura, tapeçaria, mobiliário, etc, criações desde a antiguidade clássica ao início do século XX, demoraram-nos horas de deslumbre e alheamento do exterior.
Por fim, já na margem esquerda do Sena, naqueles que foram os terrenos da antiga fábrica de um dos maiores construtores automóveis franceses, encontrámos o Parque André Citroën. São cerca de 14 hectares de espaços verdes de design futurista de cinco paisagistas e arquitectos de renome, talvez por isso, com alguma falta de coesão mas com imensos focos de interesse. Trata-se do único grande espaço verde de Paris, directamente aberto sobre o rio Sena. Retenho na memória os jardins temáticos e a perspectiva frustrada da subida a 150 metros de altura em balão que, por razões que já não me ocorrem, não chegámos a fazer.
Este Natal, a viagem que farei é interior. Afinal, Versalhes há-de ser aqui por obra e graça do nosso rei-sol de quatro anos, que todos os dias constrói castelos, palácios e jardins imaginários pelos cantos da nossa casa. É ele, qual paisagista de renome, que projecta e espalha cor, alegria e brinquedos a seu bel-prazer e que transforma o nosso dia-a-dia, numa eterna viagem de sorrisos irreverentes.




Notícias relacionadas


Scroll Up