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Natal – Uma Mensagem de Amor

Deus manifesta-nos no mistério do Natal que a Sua entrega aos homens não tem limites. Jesus revela um Deus que se oculta na pequenez, que se rebaixa na completa debilidade e se deixa vencer. É o inverso do nosso mundo. E é uma Mensagem de Amor. Um Deus que se humilha. Encontramo-nos diante de um Deus que se faz pequeno e pobre, que ocupa o último lugar, o lugar de uma criança. Deus manifesta-nos no mistério do Natal que a sua entrega aos homens não tem limites. Está disposto a partilhar as nossas necessidades e as nossas dores. Por isso oculta a glória da sua divindade e faz-se presente num Menino.

Maria Fernanda Barroca
21 Dez 2013

Jesus Cristo oferece a todos os homens o dom de uma vida nova, que consiste essencialmente numa nova amizade com Deus. Não exclui ninguém, por mais pobre e pequeno que seja. Mostra-se próximo dos aflitos e abatidos, dos enfermos e ignorantes, dos marginalizados e condenados. Os fracos e desprezados de todas as classes descobrem uma felicidade inesperada em Jesus. Sentem-se acolhidos, sentem que lhes devolvem a dignidade que julgavam não mais poderem possuir.
Jesus faz-se amigo das crianças e dos pobres, e até se identifica com eles. A criança simboliza todos os que não se bastam a si mesmos; o pobre representa aqueles que têm fome e sede, aqueles que estão presos ou exilados. É um mistério impressionante que o próprio Deus – a Grandeza, a Beleza e o Poder absolutos – se oculte naquilo que é menor, mais débil, mais sofrido.
Nós, homens, costumamos admirar uma pessoa importante e poderosa, mas também a tememos. Geralmente, é mais fácil amar alguém que seja fraco e que precise da nossa ajuda. Talvez seja esta uma das razões pelas quais Jesus Cristo se faz pequeno e vulnerável: quer entrar em comunhão connosco.
Na sua passagem pela terra, Jesus perdoa os pecados daqueles que se arrependem; revela-nos ao mesmo tempo a alegria de Deus ao perdoar; mostra-nos um Deus que se «comove» com o nosso destino. A parábola da ovelha perdida, por exemplo, dá-nos a conhecer a felicidade do pastor que recupera o seu pequeno animal; não diz nada sobre o “estado anímico” da ovelha: quando a encontra, põe-na sobre os ombros cheio de alegria.
 Na parábola da dracma perdida, Jesus leva-nos novamente para além da cena quotidiana. A procura angustiosa da pobre mulher é uma imagem de outra dor, infinita: a “dor” do próprio Deus na sua busca pelo homem perdido. Por meio da protagonista da parábola, Jesus dá-nos a entender que Deus remove céus e terra para encontrar aquele que está perdido. E a alegria da mulher ao encontrar a sua moeda é a felicidade de Deus por ter encontrado o homem extraviado, mas que aceitou o perdão de Deus com gratidão.
A história do filho pródigo expressa o mesmo facto com ainda mais clareza. Quando o pai vê o filho – andrajoso, fraco e imundo – voltar para si, corre a abraçá-lo, sem o julgar, sem o censurar, sem sequer dizer que lhe perdoava. Só tem um desejo: recuperar o seu filho, viver em comunhão com ele. Esse desejo é mais forte que as feridas que o jovem lhe causou.
É assim o amor de Deus pelos homens. Desce dos céus para libertá-lo da sua culpa e da sua miséria. Não é o nosso amor a causa e a medida do perdão divino. É o amor misericordioso e absolutamente gratuito de Deus que provoca o nosso amor contrito e agradecido.
Jesus – como se canta numa canção de Natal – veio “à terra para padecer”. Prestou-nos o máximo serviço com a sua morte na cruz. Ali escutamos a última palavra do amor, se é que o amor consegue tê-la. Que Deus se tenha revelado definitivamente num crucificado é algo que contradiz todas as expectativas humanas. É escândalo para os judeus e loucura para os pagãos (1 Cor 1, 23).
Dar glória a Deus nas alturas, como cantam os Anjos em Belém, mas também na terra, não é simplesmente um jeito de falar, mas um jeito de viver. Deus convida-nos a um estilo de vida completamente novo: convida-nos a entrar no seu Reino, não apenas depois da morte, mas aqui e agora.
O sentido do mistério de Belém, da encarnação de Deus Filho que se fez uma criancinha desvalida, poderia ser resumido assim: “Deus chama-nos à sua própria bem-aventurança” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1719).
Aproveitemos este tempo para ler/oferecer o Livro do Papa Francisco da Editora Paulus: «O Espírito do Natal».




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