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Auditar é preciso

O último acontecimento político de relevância, “Troca de Dívida”, que se passou neste país e que implicou o não pagamento de 6,6 mil milhões de euros da dívida nacional, é suficiente para alertar e consciencializar cada português para o colossal problema financeiro que existe e existirá “ad aeternum” para resolver. Se o país não teve este dinheiro para pagar em 2013, também não terá 27 mil milhões de euros para pagar em 2017 e 2018. Esta táctica política de empurrar os compromissos para mais tarde ou para as gerações vindouras não vai dar bons resultados e nem vai ser possível repeti-la mais vezes, porque os credores não o vão permitir.

Armindo Oliveira
21 Dez 2013

A situação económica e financeira é, já por si e neste momento, praticamente insustentável e vai provocar nestes próximos anos uma agudização fortíssima da austeridade, exigência dos credores, que tornará a vida dos portugueses um autêntico calvário. Escusa o governo de agitar a bandeira da retoma incipiente da economia, da descida decimal do desemprego, do crescimento das exportações que não vamos escapar a doses maciças de cortes e a qualidade de vida dos portugueses entrará numa espiral de degradação irreversível. Foi esta a boa herança que a classe política construiu ao longo destes anos de brincadeiras democráticas, de demagogias eleitorais e de venda de ilusões avulso. As expectativas das camadas mais jovens estão em patamares sofríveis e angustiantes e consubstanciar-se-ão no fazer as malas e zarpar para outras bandas onde as suas aptidões e qualificações são positivamente reconhecidas.
Um país que atingiu a colossal dívida de 211 mil milhões de euros não tem presente e terá, obviamente, um futuro negro e seriamente comprometido. O povo português não merecia este desfecho. Fomos claramente enganados por uma classe política irresponsável, inconsciente e demagógica. E o curioso desta história é que não há responsáveis nem culpados. Por isso, impunidade completa. No tocante à dívida, não há nada a fazer a não ser esperar e mendigar que os credores se compadeçam de nós e nos perdoem pelos pecados cometidos. Caso contrário, estamos perdidos neste atoleiro social e económico nada condizente com o nosso estatuto de país europeu e pertencente à União Europeia.
Era pertinente introduzir neste artigo esta nota para dar um enquadramento mais real à necessidade do país afinar as suas políticas pelo rigor, pela disciplina orçamental e pela prestação de contas de todos aqueles que mexem com dinheiro público. Sabemos que nas Câmaras Municipais e em todos os organismos públicos não havia e não há uma cultura de rigoroso controlo financeiro e de exigência profissional para se evitar, de todos os modos, mais surpresas, mais facilitismos e mais eleitoralismos. Nesta linha de pensamento, só pode haver anuência e aplausos para a decisão de Ricardo Rio proceder a uma auditoria externa às contas da Câmara Municipal de Braga, referente à gestão de Mesquita Machado nos últimos quinze anos. Além disso, esta medida insere-se numa promessa eleitoral avançada por Ricardo Rio que quer ver as contas certas e as finanças arrumadas. Transparência é preciso!
Nesta cidade e depois de tantos e tantos anos em que as mesmas figuras dominaram a cadeira do poder, é imperioso saber como os autarcas geriram o dinheiro dos contribuintes bracarenses. É preciso ter a noção das despesas, das receitas, dos encargos e dos investimentos feitos. Também é preciso conhecer, com exactidão, qual a situação financeira existente para se dar continuidade ou se romper com práticas esbanjadoras e com investimentos de duvidosa rentabilidade e de uso selectivo.
A abertura do processo de auditar as contas nesta ou naquela Câmara Municipal é um acto fácil de se entender e é perfeitamente consensual, uma vez que existem graves precedentes de gestão danosa que deveriam envergonhar quem se atreve a gerir um serviço público sem ter os pré-requisitos de competência, de seriedade e de dignidade para assumir tal função.
O problema das auditorias não está no trabalho de se apurar as irregularidades e as responsabilidades que possam existir, mas nas consequências criminais para os prevaricadores, dado que o historial do país é de impunidade incompreensível e revoltante.




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