Fotografia:
Prisioneiro 466/64

O recente desaparecimento físico de Nelson Mandela veio relevar a sua importância para todas as áreas sociais, inclusive para o desporto mundial, pelo seu exemplo e atitude. Nelson Mandela foi um advogado que esteve preso durante 28 anos e tornou-se num símbolo da luta pela liberdade e pelo fim do regime de segregação racial na África do Sul (Apartheid) e acabou por ser Presidente, durante 5 anos. A sua ação não foi só política mas de caráter universalista, em que os valores que suportam o desporto foram tantas vezes usados para a defesa de causas e de ideias de integração.

Carlos Dias
20 Dez 2013

Aliás, foi durante a sua jurisdição presidencial que a África do Sul organizou um dos mundiais mais emblemáticos, históricos, controversos e épicos do rugby, em 1995, e que acabaria por ser eternizado em filme (“Invictus”). A sua ligação ao desporto foi conhecida e acabou por ser lutador de boxe. Por tudo o que ele representa é uma das figuras maiores da minha referência pessoal.
É mais que evidente que o seu contributo para a humanidade foi extraordinário, mas a sua ação um grandioso exemplo. O seu maior contributo foi ensinar a perdoar. Tal como na vida, o desporto deve valorizar a harmonia em detrimento do conflito, enaltecer o esforço e a entrega em favor da indolência e da arrogância, a perseverança em sobreposição ao facilitismo.
Existem inúmeras lições que podem ser extraídas da vida e obra de Madiba mas, de facto, os seus pensamentos serão eternamente recordados pela capacidade de que ele teve de os ter aplicado e defendido com a sua própria atitude e vida. Dos seus inúmeros pensamentos, existem dois que faço, muitas vezes, referência: “Sou o capitão da minha alma!” e “Pode parecer impossível, até que seja feito…”. Têm uma fortíssima aplicabilidade para o desporto, não só porque sustenta a sua essência, mas acima de tudo porque traduz o valor máximo do limite humano e do seu sentido ético e moral.
Em 1995, a seleção da África do Sul (apelidada de “Springbooks”) sagrou-se campeã mundial de rugby, ganhando na final a toda poderosa Nova Zelândia (“All blacks”), mas não foi só isso. Na realidade, Madiba foi capaz de unir uma nação, com todos os seus problemas, em torno de um desporto, de uma modalidade, de um jogo. O rugby era considerado, pela maioria negra, como um desporto colonizador e era, por isso, rejeitado. No entanto, pela sua ação e mestria, Nelson Mandela convenceu toda uma nação a identificar este momento como o fator da união racial e de identificação de um só País.
Madiba, com a sua atitude congregadora, traçou um novo rumo para uma nação unificada. A partir daquele momento histórico para o mundo do desporto e, obviamente, como exemplo para a humanidade, a segregação racial diminui, as fronteiras foram destruídas e a identificação da nação foi proferida a uma só voz. É, ainda, evidente que a África do Sul vive momentos conturbados, mas o contributo e ação deste líder foi extraordinário para o rompimento de muitas barreiras raciais.
O prisioneiro 466/64, rompeu as amarras do preconceito, venceu muitos dos obstáculos que lhe foram impostos, combateu com lealdade pelos valores e princípios, nem sempre venceu, mas lutou sempre! Como ele próprio referiu: “A educação é a arma mais forte que se pode usar para mudar o mundo”, e eu acredito que o seu exemplo poderá ser o mote para ajudar a educar muitas das gerações futuras.
PS: Aproveito para desejar a todos um excelente Natal e um Próspero Ano Novo.
carlos.dias03@gmail.com




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