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O Natal – para além do espaço

Será que o espaço existe como um vazio ou existe como uma ideia de figura, cujo extenso é limitado, no qual há uma infinitude de caminhos entre os pontos da sua extensão. Mas uma figura de um corpo finito pode ser limitado sem linhas determinadas como, por exemplo, uma esfera? Sabe-se também que todas as figuras não são outra coisa senão os modos simples de um espaço ou de um lugar. Porém, uma única linha reta ou superfície plana não pode compreender nenhum espaço, nem constituir nenhuma figura. Por outro lado, o espaço se considerado como a extensão é uma abstração do extenso e, deste modo, torna-se muito difícil, para não dizer inteligível, apreender se o espaço, associado ao tempo, é um a substância ou é um acidente.

Abel de Freitas Amorim
20 Dez 2013

Isto porque o grande dilema é que se o espaço fosse uma substância, mesmo que fosse um corpo indeterminado, também ninguém ousaria conceber um corpo físico infinito como o espaço. De outro modo, também é verdade que se o espaço existe, como parece, não deverá ser considerado um vazio exterior ao homem e logo igual ao nada. Alguns filósofos e pensadores concebem que sendo sempre a mesma a potência que a mente ou o espírito tem de alargar indefinidamente a extensão das suas ideias do espaço, através de novas abstrações, é aí que eles vão buscar a conceção de um espaço infinito. Porém, parece-me que o verdadeiro infinito, em boa verdade, reside unicamente no absoluto e que este é anterior a toda a composição e, consequentemente, a toda a conceção. Por isso, o infinito só pode emergir de um conhecimento a priori e de modo algum poderia ser formado pela adição ou pela abstração das partes.
Sendo assim, a ideia do absoluto está inatamente em nós, como a rea-lidade do Ser. Esses absolutos outra coisa não são senão os atributos de Deus. Poderemos então concluir que esses atributos não são menos a fonte das ideias do que o próprio Deus é o princípio dos Seres. Assim, a ideia do absoluto, referida ao espaço infinito, outra coisa não é, também, senão a da dimensão e grandeza de Deus.
Então, concebamos o Natal emergido no espaço e no tempo infinito do Ser e concebamos, como seres misteriosos, na nossa essência, que a verdade sobre a nossa existência dispensa grandes argumentos, mas exige simplicidade, abertura e um coração grande para acolher a Palavra de Jesus Cristo, Deus humanado. Na mesma simplicidade, mergulhados na fragilidade da nossa condição, ensina-nos Senhor a ser pequeninos, de forma a sermos dignos de acolher o caminho verdadeiro da felicidade e a nascermos para a vida sem fim com o Deus Menino. A ser pequeninos, a ser criancinhas de novo, na mais pura simplicidade e inocência, sem objetivos e anseios de bens materiais, muitas vezes supérfluos, mas com sonhos, onde nada se ambiciona e tudo, de forma cristalina, se valorizava!..
Neste espírito de Natal, para além do espaço ou no espaço infinito, juntamente com aqueles que nos são queridos, independentemente das suas presenças físicas, vivamos este Natal de 2013, com a certeza de que mais importante do que os bens efémeros, e do que até mesmo a casa onde habitamos, é o Bem Supremo que nos transcende, é o amor e é a esperança que transportamos no nosso ser ou no nosso espírito.




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