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A Evidência

Salvo raríssimas exceções – com certeza! – pode afirmar-se que o país não vive em paz, principalmente de há três anos para cá. E o pior é que estamos em época de Natal, era necessário viver-se bem e com paz o Natal. Do Minho ao Algarve, em qualquer canto, em qualquer setor da vida nacional quotidiana, há problemas, quezílias, coisas a resolver que gastam as pessoas, que as debilitam, as frustram, as destroem. Portugal caminha fortemente para país “sem rei nem roque”, isto é, vive numa democracia que ninguém entende, que não foi votada, uma vez que os votados governam com toda a Evidência contra os votantes, contra o povo: massacrando tudo e todos.

Artur Soares
20 Dez 2013

Portugal precisa de Reformas, de Ordem, Organização, Esperança. As pessoas aceitam-nas, desde que não sejam prejudicadas. É assim em qualquer mundo civilizado, em qualquer democracia. Só que em Portugal, mesmo sem reformas as pessoas são enxovalhadas, saquea-das pelos escolhidos que deviam defender as pessoas e fica-se com a convicção de que não temos gente na política que inicie reformas e muito mais evidenciam que não as querem. Isso é Evidente e “o que é Evidente não necessita ser provado”.
Temos vivido nestes últimos dias uma agitação desencadeada pelo Ministério da Educação: dúvidas na capacidade profissional de professores com menos de cinco anos de atividade, exigindo-lhes Provas ministeriais após as suas licenciaturas e/ou doutoramentos. Pessoalmente, não recordo agora a palavra indicada para classificar tal exigência.
Entendo que as Universidades são suficientemente sérias e responsáveis pelos Diplomas que passam a quem teve aproveitamento. Esta exigência das Provas Ministeriais aos professores é, indiretamente, um atestado de dúvidas ou de incompetência às Universidades. E estas como reagem? Como se sentem?
Pertenci a uma classe profissional durante quarenta anos, que, para subir na carreira tinha de frequentar Cursos de formação, Cursos de atualização, Cursos de reciclagem organizados e pagos pelo Estado e, aí sim, havia a prestação de Provas, face à matéria dada: duas provas escritas e prova oral obrigatória.
Agora, Provas (exigidas) sem Formação antecipada aos concorrentes… no mínimo isso, é ir contra a evidência dos Diplomas Universitários passados. Sendo assim, qualquer licenciado/doutor ao serviço do Estado e, com maior exigência, os políticos, deveriam todos prestar provas de competência em “serviço público” porque votados, em provas de seriedade económica, em provas de ausência de teimosia e de loucura e, finalmente, provas de ausência de madracismo.
Como dizia o sul-americano Porras Y Porras, Portugal é uma confusão tal que já nem os sindicatos são devidamente credibilizados. Colocam-se à frente, atrás e ao lado dos professores. Usam-nos, sugam-nos, vendem-lhes ideias, sonhos e ódios, somente para justificarem os lautos ordenados, subsídios e benesses que têm, que recebem do “patrão-sindicato”!
Entre os muitos milhares de profissionais não-sindicalizados, há alguns milhares que sabem que quando um sindicato decreta uma greve, são os sindicatos que pagam aos trabalhadores o tempo da greve; alguns milhares sabem também que os sindicatos procuram empregos para os desempregados; têm creches para albergar os filhos dos sindicalizados; têm advogados próprios para defender conflitos laborais contra os seus sócios, entre outros serviços. Em Portugal os sindicatos criam empregos no sindicato para os mais ladinos; gastam horas aos patrões e ao Estado para fazerem comícios contra o Estado e os patrões e, depois fazem “um Movimento” para organizar a recolha de “coletas-a-entregar “aos que fizerem greve.
Sendo assim, apresentada ou testemunhada a experiência da Evidência, pode-se pensar, mas sem evidenciar, que governantes e oposição desta República pouco melhor são que curandeiros ou bruxos, vendedores de algo sem fim à vista ou mentirosos ao serviço de qualquer selvajaria sem rosto, em cor.
E se a Evidência é uma verdade redobrada, se o que se afirma não precisa ser provado porque é ou está evidente… está doente o país, banalizado o país sem que se vislumbre medicamentos eficazes que os políticos presentes na Assembleia da República possam arranjar ou fabricar, e curarmo-nos de uma vez por todas.
Desse modo, porque é evidente a mediocridade nacional a nível de Reformas, de Ordem, de Organização e de Esperança, faço minhas as palavras de D. Eurico Dias Nogueira, quando há uns anos atrás afirmou: “este ano, os deputados da Assembleia da República, não merecem que se lhes deseje um bom Natal e um bom ano novo”.




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