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Quem cala consente…

No início desta semana, um grupo de professores deslocou-se à Universidade do Minho para – simbolicamente – “devolver” os seus diplomas àquela instituição e (julgo que também simbolicamente) pedir a devolução das propinas que pagaram para custear os cursos que os habilitaram para a docência. Com essa atitude, os referidos professores quiseram manifestar “a sua indignação” face à obrigatoriedade de realização da prova “de conhecimentos e competências”, imposta pelo Ministério da Educação, para poderem lecionar. Isto quando, na sua perspetiva (e bem…), já haviam concluído as suas licenciaturas, mestrados e (até) doutoramentos “via ensino”, com estágio integrado – e, por conseguinte, com todos os requisitos e pressupostos legais para poderem exercer a docência.

Victor Blanco de Vasconcellos
19 Dez 2013

Se é verdade que a referida “prova de conhecimentos e competências” (gerais e específicas…) põe em causa a dignidade dos professores – já devidamente formados para exercerem essa profissão, tendo alguns deles, até, já lecionado durante alguns anos letivos… –, tenho por certo que a obrigatoriedade de realização de tal prova atenta, ainda mais, contra a dignidade e a credibilidade pública das instituições de ensino superior que formam (formaram) esses docentes.
De facto, por mais que se tente “dourar a pílula” com argumentos mais ou menos sofisticados, a realidade é esta: a imposição da prova aos docentes acaba por “demonstrar” que as universidades e as escolas superiores de Educação não têm formado, com a necessária competência, os alunos que desejam ingressar na carreira docente – e até o próprio Ministério da Educação “desconfia” de tal creditação/avalização, pois exige que, concluídos os estudos superiores, esses alunos sejam obrigados a prestar ainda mais provas para além das realizadas nessas instituições.
Ora, assim sendo, é de todo estranho o silêncio das universidades e das escolas superiores de Educação sobre esta matéria. Diz o povo que “quem cala, consente” – e ao calar-se sobre esta prova, essas instituições de ensino superior acabam por, implicitamente, reconhecer/aceitar que a formação que ministram e a avaliação que fazem aos seus alunos são manifestamente… insuficientes, a ponto de ser preciso que esses alunos efetuem mais uma (duas) “prova(s)”, quando se presumia que já estivessem aptos (com estágio concluído e tudo…) para a lecionação!
Ao não fazerem ouvir publicamente a sua “voz” acerca desta matéria, as instituições de ensino superior acabam por “concordar” com a ideia de que a formação que ministram para a docência não chega para esse efeito – o que, na minha ótica, em nada abona em favor da dignidade que merecem ter…
E se assim for – isto é: se o seu “silêncio” significa, de facto, o reconhecimento dessa insuficiência –, então os alunos que frequentaram esses cursos têm razões para se sentirem defraudados e, porventura, enganados. É que concluíram os seus cursos (e pagaram as respetivas propinas…) no pressuposto de que, terminada essa formação, ficariam habilitados para o exercício de uma profissão (independentemente de terem ou não colocação) – quando, na realidade, as próprias instituições que os formaram parecem aceitar em silêncio que isso não corresponde à realidade!




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