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Prioridades

Durante a campanha eleitoral, António Salvador falou do projeto de construção de uma “cidade desportiva”. Confesso que não tive ainda oportunidade de tomar conhecimento dos contornos do projeto. Mas, visto só assim ao de longe, assusta-me. Assusta-me como assustou o projeto da Academia e como ainda me assusta aquele mamarracho, infelizmente bem real, da nova-velha piscina olímpica. Assusta-me a hipótese de um “elefante branco” a sugar os recursos do nosso clube ou então de um “elefante negro” como a dita piscina. Acredito que um investimento desse género, quaisquer que sejam os seus contornos, pode ser um fator de dinamização da economia regional; pode ser uma excelente oportunidade de desenvolvimento; pode ser uma oportunidade de criação de postos de trabalho. Mas pode também constituir a ruína de um projeto muito mais global: o do crescimento desportivo do SC de Braga.

Manuel Cardoso
19 Dez 2013

Não entendo a construção de uma Cidade Desportiva sem a colaboração da Câmara Municipal. Mas terá esta instituição hipóteses de investir num projeto destes? Não me parece.
O entusiasmo das últimas décadas, com feitos inéditos, históricos mesmo, levou a que muitos de nós sonhássemos demasiado alto. Durante uns tempos, falava-se com convicção de fazer do nosso clube um dos “grandes”. Tendo em conta os orçamentos dos tais ditos “grandes” e, principalmente, a sua enorme e irracional capacidade de endividamento, não me parece possível que o nosso clube consiga tal estatuto a curto ou médio prazo. Não me parece possível nem me parece que seja desejável. Ter um clube fundado sobre dívidas e “trafulhices”, como outros conseguem, não me parece ser o caminho certo. E pelo caminho do crescimento sustentado e sustentável não me parece que o SC de Braga lá chegue nos próximos tempos.
Portanto, na minha opinião, investimentos aparentemente tão ambiciosos como uma Academia ou uma Cidade Desportiva não me parecem prioritários.
Prioritário, isso sim, é definir rapidamente um plano de futuro a médio prazo em termos de resultados desportivos e de investimento financeiro. Neste momento é fundamental, a meu ver, regressar ao velho sonho de cimentar o nosso clube como quarta força desportiva nacional. Não podemos queimar etapas no crescimento como alguns pretenderam. Um crescimento sustentado só é possível com investimentos seguros. Aquisição de ativos com qualidade e por valores acessíveis é uma estratégia difícil mas possível, como se comprovou em anos precedentes. No entanto, nesta época cometeram-se graves erros de “casting”: aquisições pouco rentáveis e dispensas precipitadas. Isto sim, deve ser preocupação permanente dos nossos dirigentes. Alimentar sonhos megalómanos ou discutir questões acessórias como o ano da fundação não me parecem ser prioridades a levar em conta. Mais importante do que isso é repensar as estratégias de dispensas e aquisições, já em janeiro.
A meu ver, como sócio anónimo, há quem esteja a mais no plantel do SC de Braga e há quem faça muita falta. Espero que os responsáveis voltem a demonstrar a genialidade que já exibiram noutras ocasiões e recoloquem o SC de Braga naquele que é o seu lugar: um dos quatro principais clubes portugueses.




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