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Natal de Jesus

1Estamos a alguns dias do Natal. Natal que outra coisa não é – ou não deve ser – do que a celebração do nascimento de Jesus. Desse mistério assombroso de Deus se ter feito um de nós. 2. Jesus veio mostrar-nos como Deus é. Ele é a revelação de Deus. «Quem me vê, vê o Pai», disse um dia a Filipe.Veio mostrar como Deus é um Pai misericordioso e bom, que a todos ama. Que todos convida a amá-O também, e a forma de o demonstrar consiste precisamente em amarmo-nos uns aos outros. O Natal é a festa do amor. Do amor feito perdão. Do amor feito serviço a todos, com uma particular atenção aos mais débeis e mais fragilizados. Do amor feito doação.

 

Silva Araújo
19 Dez 2013

3. Hoje, mais que nunca, necessita ser recordado esse verdadeiro significado do Natal. E se há festa, o motivo da festa é o nascimento de Jesus. E se a família se reúne, é porque o grande desejo de Jesus é que nos dêmos as mãos e abatamos muros que nos separam. E se no Natal há troca de prendas é porque com ele pretendemos celebrar essa grande prenda de Jesus se nos dar. As prendas que trocamos são – ou devem ser – sinal de que também nós nos queremos dar uns aos outros.
 
4. Ao narrarem o nascimento de Jesus, os Evangelhos dizem que para Ele não houve lugar entre os homens do seu tempo. A Virgem Mãe teve necessidade de O dar à luz num curral de animais.
Vindo ao mundo para mostrar como Deus nos ama, Jesus tornou-se uma pessoa incómoda. Porque pregou o amor a quem preferia o ódio. Porque pregou a solidariedade a quem só sabia pensar em si e defender os seus interesses. Porque pregou a partilha a quem tinha como única preocupação acumular. Porque pregou a paz a quem preferia a guerra. Porque pregou a mansidão a quem preferia a violência. Porque pregou o perdão a quem preferia a vingança. Porque pregou a justiça a que preferia a desonestidade. Porque pregou a verdade a quem preferia viver na mentira e da mentira. Porque pregou o serviço e a doação a quem preferia servir-se dos outros, dominar os outros, alimentar o seu comodismo egoísta. Por isso O injuriaram. O vilipendiaram. O açoitaram. O coroaram de espinhos. O crucificaram, como se tivesse sido um abjeto malfeitor.
Ele, que veio lembrar a todos a dignidade do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, e a fraternidade universal, foi tratado como um reles objeto.
 
5. E hoje?
Também há quem não dê lugar a Jesus. Por isso pretendem, no Natal, ignorar a grandeza do seu nascimento desviando a atenção das pessoas para a comercial e interesseira invenção do pai natal. E até há pais cristãos que vão nessa de dizer aos filhos ser o pai natal quem lhes dá prendas.
O verdadeiro Jesus – também dEle, lamentavelmente, se fazem caricaturas – de forma alguma pretende que o seu nascimento seja motivo para gestos interesseiros, para a coisificação das pessoas, para manifestações de ostentação que constituem uma afronta a quem se debate com grandes dificuldades ou nem sequer possui o mínimo necessário para poder viver com dignidade.
 
Também hoje não há lugar para Jesus porque a sua mensagem é incómoda para quem procura viver à custa dos outros. Para quem quer explorar os outros. Para quem se quer servir dos outros. Para quem ignora a dignidade dos outros convertendo-os em coisas que, uma vez usadas, se deitam ao lixo. Para quem faz do ser humano um objeto descartável de usa-e-deita-fora.
Também hoje não querem dar um lugar a Jesus proibindo que a Sua imagem apareça em locais públicos.
Como permanecem atuais aqueles versos de João Saraiva:
 
Pobre Menino Jesus!
Homens e bois Te adoraram
E mais tarde, numa cruz,
Homens Te crucificaram!
 
Vinte séculos depois
Os homens não melhoraram
E ainda são mansos os bois!
 
6. Não deve haver outro Natal que não seja o de Jesus. De Jesus, aceite na sua mensagem de amor e de fraternidade. De Jesus, presente em todo e cada um dos seres humanos. De Jesus que é amor feito perdão, feito serviço, feito doação.




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