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Tempo de não desistir!

A quadra natalícia que já estamos aviver convida-nos a ter momentos
de calma meditação e, em jeito de
balanço, a olhar o passado com o propósito
de corrigir erros que não desejamos
repetir e a projetar o novo ano, que
parece apressado em chegar, com ânimo
redobrado e renovados sonhos.

J. M. Gonçalves de Oliveira
17 Dez 2013

Depois do longo calvário dos dois últimos
anos que a generalidade dos portugueses
teve que percorrer, seria desejável
que todos os políticos, sem exceção,
pudessem ser tocados por aquele
espírito meditativo e fizessem o mesmo
exercício de serena reflexão. Como seria
bom se todas essas personalidades, do
poder ou da oposição, se pudessem despir
de preconceitos, de frágeis vaidades,
de obediências cegas e de cumplicidades
ocultas e fossem capazes de, na única
condição de portugueses, fazer uma retrospetiva
crítica do seu comportamento
e de assumir um nova atitude perante
o futuro que se avizinha!
Sem laivos de ingenuidade, acreditando
firmemente na mensagem que este
tempo de Natal sempre deixa no ar, julgo
não ser demais pugnar pelos sentimentos
de legítima portugalidade que devem
aproximar todos os homens e mulheres
de boa vontade. Por isso, penso
não ser excessivo clamar pelo entendimento
entre os políticos com maiores
responsabilidades na condução do nosso
destino coletivo.
Há muito tempo que o Governo e o PS
(Partido Socialista) vêm afirmando a necessidade
de um entendimento em matérias
importantes para o país, sobretudo
neste período de dependência que ainda
vivemos. O que temos testemunhado,
longe de constituir um exemplo de
frutífero diálogo, mais se tem parecido
com uma conversa de surdos que nem
por mímica se conseguem entender. O figurino
vai-se repetindo e ainda na última
semana assistimos à reposição do mesmo
cenário aquando da discussão da revisão
da legislação sobre o IRC (imposto
sobre o rendimento de pessoas coletivas).
Não estará na hora de tudo fazerem
para encontrar o menor divisor comum
das suas desavenças e deixarem
para momento mais oportuno os tacticismos
que só prejudicam o país?
Não querendo ajuizar sobre as responsabilidades
de cada uma das instituições,
julgo que nem o Governo deve descartar
a possibilidade de transmitir para o
exterior uma imagem mais alargada do
consenso nacional, nem o maior partido
da oposição se deve excluir das soluções
mais vantajosas para o país. Principalmente
para o PS não pode haver estratégias
que o justifiquem, sobretudo, pela importante
responsabilidade que possui na génese
da crise que ainda perdura.
Vivemos uma época propícia ao encontro
das famílias, ao amor e à paz. Que
também as famílias políticas deste nosso
país sejam capazes de esquecer o essencial
das suas divisões e possam concentrar
todas as forças na busca das melhores
soluções para o povo que todos
dizem querer servir.
Quando ainda temos bem presentes as
inúmeras mensagens de pesar e as múltiplas
cerimónias que marcaram a despedida
da vida terrena desse verdadeiro ícone
da humanidade que foi Nelson Mandela,
seria bom que o seu exemplo pudesse
tocar a alma de muitos dos nossos políticos
e os fizesse acordar verdadeiramente
para os graves problemas que assolam
uma significativa parte dos nossos concidadãos,
apesar dos estimulantes sinais
de esperança que começam a despontar
nos horizontes de Portugal.
Analogamente, com estes mesmos sinais
de esperança traduzidos em indicadores
de recuperação económica (previsão de
taxas de crescimento para 2014 e 2015,
aumento do consumo privado, retoma
do investimento, entre outros), recentemente
veiculados pelo Instituto Nacional
de Estatística, pelo Banco de Portugal
e instituições internacionais que nos
animam e nos reforçam a confiança em
melhores dias, também será pertinente
não deixar de acreditar na possibilidade
de ver uma mudança de atitudes e comportamentos
de muitos dos nossos atores
políticos.
É tempo de fraternidade, por isso não
posso deixar de prorrogar este desejo
de concórdia a todos os leitores do Diário
do Minho a quem desejo um Santo
e Feliz Natal.




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