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A esperança não desiste

1 Na sua infatigável peregrinação pelo mundo, a esperança aindanão desistiu de chegar a todos os lugares nem de visitar todos
os corações.
Todos a querem. No fundo, quem não quer ter esperança? Mas
facilmente a trocamos pelo abatimento, pelo torpor, pela apatia,
pela desesperança.

João António Pinheiro Teixeira
17 Dez 2013

2. Todos passamos pela esperança e a esperança passa por todos. Mas
quem repara nela?
Quem lhe dá acolhimento? Afinal, onde vive a esperança hoje?
3. A esperança seduz, cativa, encanta, motiva, mas não encontra quem
lhe dê guarida por muito tempo.
E o mais espantoso é notar que é quando ela se torna mais necessária
que ela mais se afasta. Ou é afastada.
4. Nesta altura, todos parecemos órfãos de esperança.
Sentimos que ela se ausentou de nós ou que nós nos ausentamos dela.
5. Há momentos em que só parece ficar a esperança. Nessas alturas, há
quem a veja como um expediente.
Há quem aponte a esperança como a atitude dos passivos, daqueles que
não agem, que se resignam.
6. A esperança não é, porém, um analgésico ou um mero tranquilizante.
A esperança é um despertador, um alerta.
A esperança, habitualmente, não está em sintonia com a evidência. Há
muitas evidências que são desmentidas pela esperança.
7. É certo que a realidade tem muita força. Mas a esperança é o que nos
leva a não abdicar de a transformar.
A esperança não é, por isso, própria dos pusilânimes. A esperança é a
âncora dos sonhadores, dos lutadores, dos persistentes.
8. Há quem pretenda agir apenas quando tem garantias de êxito. O cálculo,
para muitos, degolou a esperança. Outros, no pólo oposto, substituem-
na pela mera ilusão.
Sucede que a esperança não é calculismo e é muito mais do que ilusão.
A esperança é aventura, é exposição ao perigo.
9. A esperança não nos inibe da possibilidade de naufrágio. Mas nem
essa possibilidade nos há-de obstruir.
A esperança está, pois, em condições de tingir de azul estas noites de
breu. A esperança costuma acenar-nos com maior intensidade nas horas
de provação.
10. É por isso que – alertava Vergílio Ferreira – «quando a situação é
mais dura, a esperança tem de ser mais forte».
Daí que o Advento seja uma oportunidade para reaquecer a esperança.
Que, tantas vezes, deixamos arrefecer!




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