Fotografia:
A prova de acesso à carreira docente

Os professores contratados estão uma vez mais a servir de “cobaias” [experimentalismos(?)], e são os que não têm estabilidade profissional, os vencimentos que auferem são irrisórios, o vínculo é precário e não têm garantia credível para continuarem a trabalhar no ano lectivo seguinte, e a possibilidade e desejo para terem o direito justo de entrarem para o quadro é eternamente adiado. Há dias, surgiu um comunicado oficial duma entidade credível e reconhecida internacionalmente, a O.C.D.E., que avisou o Estado português [os (des)governantes] para o facto de continuar a praticar e infringir a legalidade, ao manter na precariedade profissionais com mais de dez anos de serviço prestado e com avaliação positiva. E, foi avisado que se não repuser a legalidade e a justiça, recorrerá a outras instâncias superiores para o devido e merecido reconhecimento desses profissionais.

Adão Gomes Pereira
16 Dez 2013

Não conheço nenhuma empresa do sector privado que mantenha durante dez anos de serviço um seu trabalhador na precariedade. Bem pelo contrário: há entidades patronais que não necessitam de tanta experiência profissional para garantir a sua segurança e recompensa no respectivo posto laboral. O Estado, que deve ser uma entidade de bem, age de forma diferente: trata os profissionais sem o mínimo de respeito. Só vêem números – os (des)governantes! –, continuando a dar muito mau exemplo…
No momento presente, os professores contratados estão perante um dilema muito problemático, porque, para poderem concorrer, têm de se inscrever para a realização da prova de acesso à carreira docente – mas, mesmo que sejam nela aprovados, nada lhes garante que no próximo ano lectivo terão colocação.
Na luta que têm travado sobre esta prova, todos os candidatos deveriam optar pelo “boicote”: se assim acontecesse, seria a merecida resposta que o actual ministro da tutela merece e precisa. Reconheço e percebo a situação por que passam os docentes contratados, a sua intranquilidade e até o medo – porque o ministério ameaçou que, quem não se candidatar à realização da prova, será excluído do concurso anual de professores.
Esta prova de acesso à carreira, afinal, quer provar o quê? A garantia de um “lugar ao sol”? Não, porque mesmo para os que forem aprovados não existe garantia de colocação. Bem pelo contrário: espera-os mais desemprego, mais intranquilidade, mais precariedade. São atitudes e decisões deste tipo que ofendem a dignidade de tantos que gostam de leccionar e que se sacrificam para se manterem na profissão! Uma prova destas quer provar o quê? Não bastam já as provas dadas ao longo de tantos anos no exercício da profissão? Para que serviram as universidades que ao longo de tantos anos formaram tantos profissionais na “via ensino” – licenciaturas, mestrados e doutoramentos? Quer o ministro passar um atestado de incompetência a tantas universidades? O ministro não é também, afinal, professor universitário? Não formou muitos destes professores? Tanta demagogia, insensibilidade e falta de respeito…
Existem professores contratados com mais anos de serviço do que alguns que já pertencem aos quadros. Conheci ao longo da minha vida profissional professores contratados mais competentes e empenhados do que alguns que já fazem parte dos quadros.
É caso para meditarmos e pensarmos sobre o porquê de tanta teimosia, de tanto querer fazer crer que é tudo a bem dos professores – quando o resultado é precisamente o contrário. Não se aguenta, nem se pode suportar, tanta demagogia…
A ministra do anterior Governo ofendeu e tratou tão mal os profissionais do ensino que, como resultado das suas teimosias e convicções (?), foi obrigada a demitir-se. Agora, este ministro o que pretende? Única e exclusivamente retirar dinheiro do sector educativo, para proteger o ensino privado. Estão sempre a evocar que não há dinheiro, que é preciso poupar, e, depois, os resultados não o que se vê… Que hipocrisia! Julgam que muitos de nós estamos cá só para ver “o comboio passar”!
Porque será que, nos últimos anos, tantos professores se aposentaram? Eu fui um deles. Estava, e cada vez estou mais, desiludido com estes “politiqueiros” que não pensam em nós, que só pretendem dar nas vistas e deixar as suas “marcas”. A verdade acabará por bater à porta daqueles que têm ética, que são profissionais e que, apesar de tanta ofensa, trabalham muito (e bem) em prol dos seus alunos, e continuarão a permanecer nas escolas, enquanto os “politiqueiros” acabarão arredados dos seus postos…




Notícias relacionadas


Scroll Up