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Mandela e Estrela

No mesmo dia em que todo o mundo homenageava justamente o grande líder africano Nelson Mandela, o Parlamento Europeu repudiava, também justamente, o chamado “Projecto Estrela”, com 327 votos contra e 53 abstenções. E, curiosamente, pelas mesmas razões. O que mais cativou em Mandela foi o seu exemplo, vivido, sofrido e declarado de homem íntegro. Respeitava a vida humana de cada um, por ser pessoa, independentemente da cor da pele, da sua posição social, das suas ideias. Esse respeito vinha-lhe como consequência da sua enorme capacidade de compreender o outro, de se meter na sua pele, de entender os seus sentimentos. Em consequência disto, surgiu o perdão, outra das suas enormes virtudes. Resumidamente, foi esta coerência, vivida em alto grau, que deslumbrou o mundo.

Isabel Vasco Costa
15 Dez 2013

Edite Estrela colocou-se no extremo oposto: não respeita a vida, nem as ideias de cada um, exigindo que os médicos e demais profissionais da saúde executem ou participem obrigatoriamente em abortos. Além disso, propunha a educação sexual nas escolas a partir dos 4 anos de idade.
Qual a razão do sucesso de um e da derrota de outra? Talvez a resposta esteja nas palavras ÉTICA e CONSENSO. Mandela lutou pela ética e Estrela buscou o consenso. É curioso constatar que as democracias se alicerçaram no consenso, baseando-se no relativismo: como se repudia a verdade, tudo é opinável e relativo, basta o consenso. Quando este falha, surge o ditador: “Como não há acordo, faz-se o que eu quero.” Não foi assim que surgiram Hitler, e Lenine, e Mao…? A ética, porém, não é subjectiva porque existe fora do homem. É susceptível de ser entendida e aceite pelo homem, mas está acima dele, existe antes dele porque faz parte da sua natureza. E isso sempre será assim. Nelson Mandela entendeu, Estrela não.
Notemos ainda que, na África do Sul, se vivia um apartheid de consenso que acabou rendido à ética de Mandela. Porquê? Porque o consenso pode causar grandes injustiças, como era o caso. E não é próprio do homem sofrer injustiças. Perde a sua dignidade de pessoa.
Certamente que Nelson Mandela teria algum defeito. Assim como Edite Estrela terá alguma virtude. Mas não me sinto bem representada no Parlamento europeu por esta deputada.
Enfim, essa terça-feira, dia 10 de Dezembro de 2013, foi um dia que nos deu uma grande lição: o bem e a ética são superiores ao mal e ao consenso.




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