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Um olhar em redor

Com a sua habitual teimosia ou, pior ainda, obsessão congénita, o chefe do actual Governo prossegue nos seus discursos inflamados, falando-nos de um país que não é o seu nem, muito menos, o nosso, o da maioria dos portugueses. Manipulando constantemente números e factos irrefutáveis tais como a desigualdade social cada vez mais acentuada, a qual vem atingindo o nosso povo como se de um anátema ou estigma se tratasse, situação resultante dos sucessivos sacrifícios que nos têm sido impostos, fundamentados sempre numa austeridade que não pode abrandar sob pena de cair, o país, na insolvência, no descrédito completo e absoluto perante as mais diversas entidades que, neste tempo de crise económica profunda nos têm valido, mediante a supervisão e completa submissão às imposições da denominada troika!

Joaquim Serafim Rodrigues
14 Dez 2013

Tal política, que vem sendo seguida pela coligação actualmente no poder desde há dois anos a esta parte, atinge principalmente as classes mais desfavorecidas conforme está à vista de todos e, abstendo-me por agora de nomear outros membros de governos anteriores também responsáveis por termos caído neste abismo económico, financeiro e, de natureza moral (já o fiz em crónicas anteriores), não posso contudo prosseguir sem fazer alusão ao seguinte: a União Europeia não foi criada para garantir a todos os seus membros a paz e, sobretudo, a prosperidade? Não é também verdade que existe uma Carta dos Direitos Fundamentais que consagra, entre várias outras coisas, o respeito pela dignidade humana e se garante a protecção  das crianças e dos idosos?
Esta Europa (UE) não passa de uma ficção tendo chegado ao que chegou, volvidos todos estes anos sobre o tratado de Maastrich assinado em 1992, o qual deu origem à sua criação. Não é coesa nem solidária, servindo essencialmente para albergar em Bruxelas centenas e centenas de funcionários principescamente pagos, presidentes disto e daquilo, comissários, deputados, etc., etc. Que o diga Durão Barroso que desertou do cargo que desempenhava aqui, o de primeiro-ministro, como estarão lembrados. Ou deixaram que ele desertasse, melhor dizendo…
Prossigo: o que sucede, na prática, é que as soluções sucessivas propostas e impostas pela UE e pelo FMI põem em causa direitos fundamentais de cidadania, senão mesmo a sobrevivência de milhões de portugueses!
Este espaço europeu no qual nos incluímos deixou há muito de funcionar democraticamente, sendo por demais evidente a existência, no seu seio, de países de primeira e os periféricos, considerados de segunda, no qual nos encontramos. Aqueles sempre estiveram a coberto deste autêntico e brutal espartilho denominado austeridade.
Mais uma ou duas questões, pertinentes, a meu ver: não soubemos utilizar convenientemente, nesses anos áureos de desafogo económico, as avultadíssimas verbas provenientes da UE (já o referi em crónica anterior) gastando mal esse dinheiro e desviando-o, não poucas vezes, dos fins às quais elas se destinavam? É um facto, sem dúvida. Não nos soubemos governar ou, mais propriamente, jamais tivemos políticos à altura, capazes de aproveitarem conforme se impunha, essas ocasiões favoráveis, colocando acima de tudo os interesses do seu povo, dito de outra forma – o bem comum.
Contudo, e antes de terminar, uma outra pergunta: ninguém, entre essas centenas de funcionários altamente colocados ou, melhor dizendo, alojados em Bruxelas, tinha o encargo de verificar o modo como iam sendo geridos esses fundos nos diferentes países, acautelando, evitando o pior? Uma comissão qualquer, sei lá. Não será mais vexatório e humilhante entrarem agora pela nossa casa (passe a imagem) como se fosse a deles, impondo-nos medidas insuportáveis para a maioria que as sofre, após terem vasculhado tudo?
Dá que pensar…




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