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Saberes por detrás dos sabores de Natal

Já quase tudo nos anuncia a chegada do Natal. Ouve-se o Noite Feliz, a iluminação das ruas é especial, e as montras das lojas, numa profícua oferta, não nos deixam esquecer as ementas natalícias. Sem darmos conta, entramos no espírito dos preparativos para a noite da consoada. Família reunida, aconchego, doces… e bacalhau, o nosso fiel amigo! Muita ciência se esconde nos produtos que compõe as mesas de Natal, especialmente no que diz respeito à conservação dos alimentos. O bacalhau, por exemplo, como chega até nós? Com as grandes navegações do século XV, Portugal passou a pescar frequentemente nos mares do norte, onde este peixe era abundante.

Marina da Costa Maciel
14 Dez 2013

Para o preservar durante mais tempo fez-se uso do sal que por cá havia, e começou-se a praticar a salga e a secagem do bacalhau. Este tipo de conservação é um processo natural: não são usados químicos ou conservantes. O sal, aplicado em grandes quantidades, expulsa a água (composto essencial à vida) e cria um ambiente inóspito às bactérias responsáveis pela deterioração de alimentos, impedindo a sua proliferação.
A salga permite ainda apurar o sabor e manter as propriedades nutricionais do bacalhau. Sabia que este peixe é uma fonte de ómega 3, um ácido gordo que ajuda a proteger o sistema cardiovascular? Bom, mas se falamos em bacalhau não podemos esquecer o bom azeite nacional! Típico da dieta mediterrânica, o azeite contribui para a redução do mau colesterol e evita a oxidação das células, responsável pelo envelhecimento.
Terminado o prato principal, é tempo para os doces. Sonhos, rabanadas, aletria, os mexidos… com canela a acompanhar ficará melhor servido! É antibacteriana, como o sal, e antimicótica (impede o crescimento dos fungos). Polvilhados com canela, os doces de Natal ficam mais resistentes aos microrganismos. Para além disso, sabe-se também que a canela é um bom aliado para o controlo dos níveis de açúcar no sangue, especialmente em pessoas com diabetes tipo 2. Admirado? Acredite, tudo o que lhe dizemos já foi estudado. Aparentemente, esta especiaria melhora a atuação da insulina, a hormona responsável pela entrada de glicose (açúcar) nas nossas células.
O que também não pode ficar de fora nesta altura são as uvas passas. Deve com certeza ter reparado que este fruto seco é mais doce do que os frutos naturais. Está tudo relacionado com o método de conservação aplicado. As uvas são desidratadas, ou seja, é-lhes retirada a água. Desta forma, o fruto fica com uma maior concentração de açúcares, ácidos, sais e outros componentes, o que por um lado impede o crescimento de microrganismos e, por outro, torna-o mais doce. Por serem ricos em fibras, estes frutos apresentam benefícios adicionais, nomeadamente para o bom funcionamento do intestino.
E agora que já condimentamos a sua ceia de Natal com umas pitadas de ciência, desejamos-lhe uma excelente quadra natalícia. Tenha em conta estas dicas e deixe-se levar pelo(s) sabor(es) da época, com moderação, claro!




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