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Porque assassinaram Sidónio Pais?

No dia 14 de Dezembro de 1918, Sidónio Pais tombou, sob o tiro certeiro da pistola de José Júlio Relvas, quando na Estação do Rossio tomava o comboio para o Porto. Apercebendo-se do sucedido ainda gritou: “Mataram-me! Morro, mas morro bem! Salvem a Pátria…” Tinha sido advertido do que se estava a preparar, mas a quem o avisou respondeu que um Chefe de Estado não deve modificar as suas deslocações por esses motivos. Realmente o seu destino não foi o Porto, mas a mesa de operações do Hospital de S. José, para onde o levaram e onde morreu com um crucifixo sobre o peito.

Maria Fernanda Barroca
14 Dez 2013

E porquê referir um crucifixo sobre o peito? – Vejamos a relação possível.
Após o 5 de Outubro de 1910, que muitos consideram, não um dia festivo passível de feriado nacional, mas sim um dia de luto, o país mergulhou numa euforia seguida dos primeiros excessos e desmandos.
Tudo isto, aqui descrito, durou pouco. Na tarde da vitória surgiram os excessos e carnificinas, relembrando o que acontecera há muito na Revolução Francesa e mais proximamente na Revolução dos Cravos.
Forma-se então um governo provisório onde se juntam figuras como Teófilo Braga, António José de Almeida, Afonso Costa (o mesmo que se declara resolvido a extinguir a religião católica em duas gerações, mas no entanto, manda educar os filhos em colégios, no estrangeiro, confiados a religiosos…), Bernardino Machado, José Relvas e o mais importante de todos na altura – Magalhães Lima, Grão-Mestre da Maçonaria desde 22.03.1907 e que se bateu com entusiasmo pelo seu ideal de livre pensador, republicano e laico, mas de quem se conta que um dia, ao contemplar uma das muitas belezas ímpares que nos oferece a Serra da Estrela, caiu de joelhos em atitude reverente… A quem? Por certo ao Autor de tamanha maravilha.
Viveu realmente Portugal um período em que a Maçonaria e a Rua dominavam. Foi iniciada a Carbonária e o país tornou-se ingovernável.
Os governos sucedem-se, a República segue e dois blocos se colocam frente a frente: os “moderados” que querem uma república ordeira e respeitadora: os “democráticos” que querem uma república laica com participação revolucionária das massas. Estes acabam por vencer e as desordens, as greves, os motins são o quotidiano. As autoridades são dominadas pelos amotinadores.
Há ainda quem tente opor-se como Paiva Couceiro, que infelizmente é derrotado, dando lugar a um novo governo em Janeiro de 1913 que tem à frente um jacobino duro e audaz, idolatrado pelos extremistas: Afonso Costa.
Portugal vai a pique, a ponto de Ramalho Ortigão declarar em 1912: “A pátria tornou-se comparável a um prédio de que recentemente se houvessem extraído os alicerces”.
António José de Almeida num artigo – “Guilhotina, Veneno ou Punhal?”, escreve: “(…) que nos matem. Por mim não peço aos meus amigos que tratem de averiguar quem me assassinou. Não vale a pena, mesmo é bom poupar à República a vergonha de ainda vir a ter um governo que decrete uma medalha especial para o maltrapilho que me liquidar (…)”.
O caos continua até que o major Sidónio Pais concretiza o descontentamento do povo e após uma luta entre civis e marinheiros, sai triunfador. Afonso Costa é preso e Sidónio Pais adopta um sistema presidencialista –  é ao mesmo tempo Chefe de Estado e de Governo.
Sidónio Pais, professor universitário em Coimbra, republicano convicto, franco-mação, conseguiu em 1917 reunir o que de melhor havia no país e deu começo a uma nova era: abolição do jacobinismo e tolerância religiosa. Isto aconteceu no dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal e no ano de 1917 em que se deram as primeiras Aparições de Nossa Senhora em Fátima.
Sidónio segue em frente e tenta reparar os prejuízos causados à Igreja, ao mesmo tempo que reata relações diplomáticas com o Vaticano.
Porque era incómodo o mataram; por isso morreu com um crucifixo sobre o peito, mas morto Sidónio Pais a anarquia regressou, mas a paz religiosa manteve-se.
Muito havia a esperar de um Homem honesto, se a bala dos intolerantes o não tivesse derrubado tão cedo… Apesar das suas ideias, rendemos homenagem ao seu esforço de reconciliação nacional e de respeito pelos sentimentos genuínos do povo português, que nunca foi, no seu todo: laico, e mação!
Podemos associar o seu nome ao de Nelson Mandela, pois que a ambos o que interessava era o bem do seu povo.




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