Fotografia:
Outro Ponto de Vista…

A longo prazo, a melhor forma de parecer uma coisa era sê-la.in Ofícios de Cícero
Obrigação agradável, mais que não seja porque esta crónica pretende ser uma homenagem ao excecional Homem, Nelson Mandela, Madiba, para os seus íntimos, que somos todos.
Não obstante, procurará, também, para lá da espuma dos tempos que correm, perceber a onda que lhe dá substrato.

Acácio de Brito
13 Dez 2013

Mandela – que nos vivos permanece vivo pelo seu exemplo e dedicação à causa da humanidade, e que hoje merece acolhimento generalizado, até naqueles que no respeito pelos direitos humanos deixam imenso a desejar, e refiro-me aos Castros do caribe, aos Mugabes africanos e outros quejandos, sejam norte-coreanos ou mesmo russos, que ainda mandam no nosso mundo – foi grande porque teve grandes consigo.
Assim, quase de modo pouco impressivo, a imagem de Frederick De Klerk vai aparecendo de modo meio toldado, havendo quem esqueça que foi também pela ação deste branco, genuinamente africano, que foi possível que Madiba se tornasse na personalidade relevante que foi e será!
Esquecem-se muitos dos “opinadores” que para De Klerk, Nobel da Paz em parceria com Mandela, foi tarefa hercúlea conseguir impor a um país profundamente dividido as razões que permitiram, não só a libertação de Madiba, mas sobretudo pôr fim ao ignóbil sistema do Apartheid.
E fê-lo com mestria, sendo ele filho e neto de homens com responsabilidades na implantação desse regime segregacional.
Conseguiu-o, levando a “Carta a Garcia”, apesar de muitos então considerarem esse um caminho que levaria ao caos, à desordem e à aniquilação das partes conflituantes.
Não!
Na boa tradição africana – e é de bom-tom referir que as origens de Frederick De Klerk, como muitas famílias sul-africanas tradicionais e antigas são descendentes de Eva Krotoa, uma Khoisan que teve filhos com um colono holandês, e cujos filhos se integraram na comunidade colonial estabelecida pelos holandeses, sendo que De Klerk é um dos descendentes de Eva Krotoa –, os compromissos estabelecidos entre homens de bem são sérios.
Mandela, oriundo de uma família nobre Xhosa, depois de passado o inverno do sofrimento que lhe foi imposto, tornou-se capaz de convencer muitos que o caminho teria de ser diferente.
Entre irmãos nacionais, nobres na origem e no caráter, desavindos por razões humanamente não suscetíveis de aceitação, foram – Madiba e De Klerk – capazes de dar ao mundo uma lição de convivialidade entre pares.
Foi a humanidade resiliente de ambos que permitiu que hoje os homens do mundo fossem até às terras de fim-de-mundo prestar justo tributo e homenagem a um grande da nossa Terra.
Para Mandela um sentido adeus. O céu ficou mais rico. E a De Klerk um obrigado!




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