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As viagens

Pelo que se constata, a Comunidade Humana (a que está atenta e é pensante) foi sabedora de que o Primeiro-Ministro de Israel não participa nas cerimónias fúnebres de Nelson Mandela devido aos custos, isto é, para não serem gastos um milhão e cem mil euros ao Estado, segundo o anunciado na Comunicação Social.Pessoalmente não aceito o argumento Israeliano. Este povo é sobejamente conhecido em todo o mundo pelo seu poderio económico local e em vários países, como nos Estados Unidos da América, por exemplo. Entendo, salvo melhor opinião, que há outras razões para Israel não estar presente nas cerimónias: razões políticas, religiosas e, talvez, cores da pele.

Artur Soares
13 Dez 2013

Acreditando que a ausência Israelita é questão económica, tal acontecimento leva-nos a recordar que em Portugal, nos tempos da I República, Salazar, para evitar despesas ao Estado, dividia as viagens ao meio do caminho para se encontrar com Franco de Espanha. Assim era anunciado e a intenção era “mostrar” aos portugueses que os dirigentes políticos de então não se jactavam à custa do país.
Perante o caso de Israel e o de Salazar em Portugal, as viagens, obrigatoriamente é necessário dizer do forrobodó do meu homónimo, quando foi primeiro-ministro e presidente da República desta III República: jactanciou-se, inchou-se com lautas e extrovertidas refeições a bordo de aviões (especialmente fretados), por mais de setenta paí-ses e acompanhado, normalmente, por mais de cento e cinquenta pessoas. Tal despesismo do meu homónimo, sobretudo o que se consumia dentro dos aviões era caviar, lagostas, camarão gigante e bebidas de altos preços, e surgiam por vezes, à revelia, tais comentários nalgum jornalzito que não davam brado nas fileiras populares.
Ora quem está atento, quem gosta de destampar o mal concretizado e retrospetivando os efeitos positivos de tantas viagens para um só Presidente e em tão pouco tempo, chega-se à conclusão que foram viagens de bazófia, sem nada nas algibeiras ou, quando muito, trouxeram algumas migalhas à custa do tudo que vem tirando ao país.
Desse modo, e sendo assim – gente que não “gasta” e gente que usa ostentação – dever-se-ia em Portugal utilizar os cuidados Israelianos e os de Salazar no seu tempo: quem transgredisse, como fez o meu homónimo, teria de ser admoestado ou julgado e, sempre, pagar o que fosse considerado abuso do poder. É assim que irá fazer, ou já o fez neste mês que corre, a China: vai julgar (ou já julgou) um bom número de políticos e de trabalhadores em lugares de chefia – por confiança nomeados – onde uns são acusados de indolentes, outros de incompetentes, e os restantes de perdulários.
Por tudo o que se “destampa ou destapa”, nestes ECOS, podemos afirmar que, como a China, temos, no nosso cantinho à beira-mar amordaçado, à solta os perdulários, os indolentes e os incompetentes.
Esta nossa “gentinha”, em tudo igual aos julgados chineses, sentiram-se no direito de em Outubro passado aprovarem o orçamento para o funcionamento da Assembleia da República, onde as despesas e os vencimentos previstos com os deputados e demais pessoal foram aumentados (fortemente) para vigorar já no ano que vem. Pelo que se vai sabendo, deputados receberão mais 5% nos vencimentos e mais 91,8% nos subsídios de férias e de natal em relação a este ano. Para se confirmar tal aberração e vergonha, basta consultar o respectivo documento do orçamento da Assembleia da República para 2014 e, no capítulo das despesas, tomar atenção à rubrica 01.01.14. Para desfazer quaisquer dúvidas, consulte-se o Diário da República, 1.ª Série, n.º 226, de 21/11/2013, relativo ao orçamento do próximo ano.
Portugal e o mundo precisa, permanentemente, de preparar a existência de crianças, vinte anos antes dos seus nascimentos, para que haja competências; Portugal e o mundo inteiro têm absoluta necessidade de homens com a formação, a capacidade, a convicção e a seriedade política de um Gandhi, de um Luther King e, na hora que passou, de um Mandela. O mundo atento e com um mínimo de cultura geral conhece os escritos, as lutas e os nobres ideais desses três grandes defensores e servidores dos seus países.
Mandela, simples a “estar e a executar”, surpreende com certeza a humanidade, e de modo especial os nossos políticos destas últimas décadas ao escrever: “A morte é inevitável. Quando um homem fez aquilo que considera ser seu dever para com o seu povo e o seu país, poderá descansar em paz. Eu acredito que fiz esse esforço e, por isso, irei dormir até à eternidade”.
Na hora que passa em Portugal, quantos se poderão sentir como Mandela?
Presentemente, não recordo ninguém. Apenas as viagens à volta do mundo.




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