Fotografia:
O destino é… caminhar!

O título “roubei-o” da fotografia da capa do suplemento “Cultura” da edição de ontem do Diário do Minho, publicado semanal e ininterruptamente desde outubro de 1999. Lembrei-me dele como forma de sintetizar um estudo encomendado pela seguradora Zurich, que avaliou doze países em vários continentes. Lê-se, então, nesse estudo, que a maioria dos jovens portugueses, 57%, com idades entre os 15 e os 24 anos, tem intenção de emigrar, sendo o seu objetivo a procura de emprego. O desejo, porém, estende-se a 40% da população portuguesa em idade ativa, que admite sair de Portugal. Diz o mesmo estudo que Portugal é o país da Europa, entre os analisados, onde as pessoas mais desejam emigrar.

Damião Pereira
12 Dez 2013

Tenho para mim que a explicação para esta saída obrigatória dos jovens portugueses está na falta de oportunidades que o nosso país lhes pode oferecer, sendo bem evidente o aumento da precariedade tanto no que diz respeito ao mercado de trabalho como a uma possível exclusão social a que poderão ser votados.
A crise económica e o desemprego vão obrigando, cada vez mais, os jovens, na sua grande parte licenciados, a optarem pelo abandono do nosso país, procurando noutras paragens aquilo que Portugal não lhes pode dar, mesmo sabendo que foi o seu país que investiu na sua formação.
No entanto, não é novo o sucesso que muitos dos nossos jovens qualificados estão a ter no estrangeiro… mas é estranho o facto de não terem conseguido encontrar uma oportunidade no nosso país para mostrar o que valem. E é essa emigração qualificada que Portugal desperdiça, mas que é aproveitada pelos outros, muitos deles concorrentes diretos em áreas como a engenharia, a saúde, a ciência…
É por demais evidente que quem nos governa deve proporcionar aos jovens a oportunidade de aqui permanecerem, dando-lhes para isso expetativas de futuro, de nada valendo reconhecer termos hoje uma geração de jovens qualificados como nunca tivemos, mas nada fazendo para que encontrem aqui o que procuram
lá fora, obrigando-os, constantemente, a adiarem o futuro.
Ainda há dias o primeiro-ministro admitiu que a qualificação dos jovens é uma arma para evitar futuras crises, depositando neles «uma grande esperança para que as transformações no tecido social e económico que precisamos de fazer possam ser transformações mais profundas do que aquelas que fizemos no passado». Mas o certo é que eles não encontram aqui o necessário para se realizarem profissionalmente, sendo, por isso, obrigados a emigrar.
Recorrendo a estatísticas divulgadas em outubro, quase milhão e meio de portugueses estão emigrados, dez por cento dos quais com educação superior, em países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico. Números que fazem de Portugal o segundo Estado-membro com maior taxa de emigração (14,2%) no espaço da OCDE, só abaixo da Irlanda (16,1).
É claro que a emigração, quando feita por opção, pode ser uma oportunidade, uma mais-valia em termos de formação, experiência e enriquecimento, podendo o próprio país beneficiar com a “exportação” de cidadãos qualificados.
Caminhar rumo ao futuro é o desafio, mas com liberdade de escolha.




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