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A obrigação natural das relações humanas (III)

Muito poucos de entre os homens são e serão conhecidos e proclamados como génios ou ilustres. Os séculos passados só nos deram, por exemplo, um Platão ou um Aristóteles. A partir deles milhares de intelectos mais modestos aprenderam a pensar mais profundamente. Mais tarde, surgiu um Dante, pelo qual milhares de poetas têm afinado as suas liras. A humanidade também nos deu um Rafael, cuja arte sublime muitos artistas menos dotados contemplaram e aprenderam a ascender a níveis mais altos de perfeição. Do mesmo modo, a geração humana proporcionou-nos um S. Tomás de Aquino, inigualável filósofo e teólogo.

Artur Gonçalves Fernandes
12 Dez 2013

Os seus profundos tratados foram e são aproveitados por milhares de seguidores ao longo dos séculos. Se poucos podem ser génios nos vários domínios humanos, todos nós podemos ser bons. E afinal não se pode dizer melhor de um homem do que chamar-lhe bom, cheio de virtudes, de comportamentos corretos, de atitudes de bem-fazer, cheio de fé e de Deus. Uma pessoa assim exerce uma influên-cia capaz de elevar os outros a níveis mais nobres do pensamento e das atitudes, mesmo muito tempo depois de ter sido esquecida a chamada grandiosidade dos distintos homens. E é a essas pessoas que Deus dá a nota de valor mais alto. Todos nós temos tido muitas ocasiões para nos sentirmos dececionados no trato ou nas relações com outras pes-
soas e ficar com inúmeras dúvidas acerca de muitas delas. E o que é mais custoso, é que a maioria dessas situações frustrantes estão naqueles que se dizem amigos ou tidos por preferidos. O sentimento mais frequente e generalizado nas sociedades humanas chama–se ingratidão. A grande diferença entre as pessoas não está na cor da pele, nem tanto no nível cultural ou de talento, mas sim no seu alto grau de bondade e de coerência de carácter. É óbvio que as pessoas devem ser julgadas pelos méritos próprios e não pelos cargos que desempenham, nomeadamente quando eles são alcançados por intermédio de compadrios, de “cunhas políticas” ou de outros meios ilícitos. A raiz da maior parte dos problemas do homem é a sua prontidão em sacrificar os valores humanos a outros objetivos negativamente discriminatórios. As leis fundamentais da Natureza Humana são a base de todo o progresso, evolução, bem-estar e felicidade dos indivíduos e das sociedades. A ignorância voluntária e consciente destas leis é responsável pela pressão que o garrote, feito pelos homens gananciosos e desonestos, faz no pescoço dos outros. A obediência a essas leis e a sua compreensão garantem à sociedade um grau elevado de comportamento individual e social. Quando os indivíduos e os grupos em que estão inseridos escolhem o bom caminho da lei natural, toda a sociedade progride e colhe benefícios. Cada um de nós tem a obrigação de ser uma unidade honesta e construtiva na sociedade a que pertence. A razão da decadência das sociedades está no facto de muitas pessoas não obedecerem às leis fundamentais da natureza humana, violando-as e agindo contra elas no seu dia a dia. A própria lei dos costumes tradicionais tem de se basear no conhecimento da natureza humana, ou, caso contrário, será uma lei ruinosa. O carácter e, muitas vezes, o destino são determinados, em certos traços, pelos amigos que conhecemos. Segundo Platão, “a medida da grandeza de um homem é a sua capacidade para arranjar amigos gloriosos”. Por seu turno, Ben Johnson observou: “Mostrem-me o género de amigos escolhidos por uma pessoa e eu adivinharei o que ela irá ser e fazer”. Ou como diz o ditado: “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”. Como regra geral, devemos procurar associar-nos ou relacionar-nos com pessoas de valor. Nenhum homem é grande só em si e por si. Tem de contactar com outros mais elevados que o inspirem e o motivem. A maioria dos génios e dos grandes santos viveram no meio dos homens, de quem receberam muito e a quem deram muito mais.




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