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A marca Braga

O Sporting Clube de Braga está em semana de eleições, nas quais não sou parte achada nem interessada. O acontecimento, porém, fez-me refletir sobre a notoriedade que os resultados positivos alcançados pelo clube produziram para a cidade de Braga, nomeadamente a disputa da final da Liga Europa e as duas presenças na fase de grupos da Champions League. A notoriedade é medida pela capacidade de uma pessoa reconhecer ou recordar-se da existência de algo e de ser capaz de associar esse reconhecimento a uma certa categoria de produtos. Por conseguinte, a notoriedade pressupõe a existência de uma relação entre o nome e a categoria do produto e, no caso específico de Braga, saber-se que se conhece o nome e ao mesmo tempo conseguir identificá-lo como uma cidade. É certo que para um cidadão nacional, ou mesmo espanhol, a notoriedade é espontânea. Porém, um cidadão alemão, por exemplo, não reconhecerá Braga como uma cidade, tão facilmente como poderíamos pensar.

Fernando Jorge Colmenero Ferreira
10 Dez 2013

A notoriedade é importante porque cria um sentimento de familiaridade e, entre alternativas, as pessoas tomarão decisões de preferência pelas coisas com as quais possuem essa mesma familiaridade.
A notoriedade é pois um critério de seleção muito forte a considerar. Numa cidade que considera o turismo como a “área chave para o desenvolvimento económico”, então parece que o clube tem dado nos últimos anos uma grande ajuda para a consecução desse objetivo.
Que seja do meu conhecimento, não existe estudo algum que tenha medido o impacto dos feitos realizados pelo SC Braga na notoriedade da cidade. No entanto, se nos apoiarmos na heurística do reconhecimento, facilmente induzimos que a cidade de Braga se catapultou para uma notoriedade graças aos resultados do clube. De uma forma simplista, a heurística do reconhecimento diz-nos que, se um de dois produtos é reconhecido e o outro não, então infere-se que o reconhecido tem mais importância que o não reconhecido. Dessa forma, quando se pediu, por exemplo, a um conjunto de americanos que situassem as cidades alemãs por ordem decrescente da população, eles foram capazes de acertar, considerando os nomes dos clubes de futebol que reconheciam e a importância das classificações normalmente obtidas nos seus campeonatos.
À falta de estudos, a heurística do reconhecimento dá-nos então algum conforto sobre o impacto positivo que os feitos do SC Braga produziram na notoriedade da cidade. Uma rápida pesquisa da palavra “Braga” no motor de procura Google na Internet mostra o clube na primeira posição e a cidade na segunda.
Mais que uma perceção de imagem negativa, as pessoas não se deslocam para um destino quando existe uma falta de notoriedade do mesmo. Se o turismo é a “área chave para o desenvolvimento económico” de Braga, então concluímos mais uma vez que o Clube tem representado uma mais-valia no conhecimento de Braga como marca.
Braga, para além de marca, só tem sentido como destino turístico se existir um mercado de consumidores desse destino. O posicionamento que têm dado a Braga como produto turístico tem estado repleto de equívocos. Os fracos resultados assim o demonstram. Então, destino de quê? Religioso é apenas na Semana Santa. Deixo a questão em jeito de desafio.




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