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O senhor doutor é que sabe…

É verdade que ainda persiste no ato médico algum autoritarismo do saber. Neste contexto, ainda há “critérios” obsoletos que permanecem na relação entre o médico e o doente: o primeiro bloqueando o segundo, na procura natural de conhecer melhor a sua situação clínica do utente e formas mais eficazes de a contornar. Mas também é verdade que a natureza humana aponta para a ideia segundo a qual de “médico e de louco todos temos sempre um pouco”… Por isso, o consumo de medicamentos não prescritos tem tido um aumento que nos deixa muito preocupados.

Albino Gonçalves
9 Dez 2013

A auto-medicação pode provocar graves riscos quando ignoramos os efeitos secundários de substâncias inadequadas à nossa doença. Também gostamos de ter em casa uma farmácia ao nosso estilo, sobretudo com base nos medicamentos que se compram mas não se tomam.
Na relação “autoritária” não há comunicação (isto é: informação que se põe em comum, num dialogo profícuo) – mas sim um sujeito que “faz comunicados” dirigidos a um objeto. Quantas vezes oiço, em Centros de Saúde, as pessoas rendidas à seguinte terminologia: “o senhor doutor é que sabe” – atribuindo-lhe o papel de “dono do saber”! Isto significa que, da parte do próprio utente, há uma tendência para se deixar alienar pela subserviência relativamente ao seu médico, pelo menos enquanto permanece junto dele.
Temos que reconhecer que, com a nova geração de médicos e de modelos inovadores nas organizações relacionais, esse cenário do “estatuto autoritário” e a ideia dominante de o médico é “rei da sapiência” começa a enfraquecer. Esta nova situação resulta também da progressiva mudança cultural dos utentes, bem como de procedimentos alternativos, nomeadamente aqueles que decorrem da mais fácil acessibilidade às ferramentas da tecnologia da informação e da comunicação.
Felicidade e bem-estar só não são conceitos idealistas na medida em que o seu horizonte seja o de uma meta atingível na vida real. Esse bem-estar, possível hoje, contém obviamente uma ideia de saúde como equilíbrio de cada pessoa e de cada comunidade em que se insere.
Para não ser mais exaustivo nesta matéria, refiro apenas três aspetos essenciais: A prevenção das doenças pela via da vacinação ou outra adquire eficácia se for praticada pela generalidade da população exposta ao risco. Para isso devemos criar todos os mecanismos de apoio às suas necessidades terapêuticas. Depois, a promoção de um ambiente saudável, com o chamamento dos cidadãos a participarem ativamente nesse processo e a cooperarem de forma positiva no sentido da sua consecução. Finalmente, a progressiva tenacidade, especialização e complementaridade dos serviços de saúde exige a sua socialização, enquanto objetivo a atingir, ou seja: um Centro de Saúde, tal como no passado, deveria oferecer serviços das valências médicas especializadas que mais são procuradas, nomeadamente nas áreas da saúde oral, otorrino e oftalmologia (na vertente optometrista). Não faz sentido ir a um Hospital procurar um médico para lhe receitar uns óculos…




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