Fotografia:
Dos enfeites de Natal

Nas últimas décadas, enraizou-se nos costumes dos portugueses, nesta quadra que se avizinha, o ritual de decorar as casas com uma árvore de Natal. Tradicionalmente, antes de importarmos esta moda dos países do norte da Europa, o Natal era o tempo de fazer o presépio com o Menino, Nossa Senhora e São José e, por vezes, também os Reis Magos e os animais da praxe.

Fernanda Lobo Gonçalves
8 Dez 2013

Lembro-me de, na minha infância, quando os nossos pais nos encarregavam de participar nestes trabalhos, me socorrer das miniaturas de peixes, crocodilos, cães, girafas e toda a parafernália de brindes de animais que vinham nas embalagens do detergente da roupa. Então, o que se pretendia fosse um quadro celebrativo do nascimento de Jesus era subvertido e transformado, por obra e graça das crianças da casa, numa espécie de arca de Noé, sem que o nosso Menino Jesus nem os seus santos Pais parecessem minimamente incomodados com tamanho feito.
Hoje em dia, os mais amigos do ambiente e avessos aos enfeites, podem recorrer a uma pequena árvore (ou arbusto) de folhas coriáceas verde-escuras que, a partir do início do Inverno, exibe pequenos frutos de um vermelho brilhante e vistoso que quase dispensam os tradicionais enfeites natalícios. Falamos do azevinho (Ilex aquifolium). Com o seu crescimento lento e trato fácil, permite, se envasado, quer a reutilização em futuros natais, quer o uso, nos restantes meses, como elemento decorativo da varanda ou jardim.
O azevinho é uma espécie dióica, (o mesmo é dizer que os sexos se encontram separados em indivíduos diferentes), pelo que apenas os exemplares femininos ostentam os apreciados frutos vistosos, fazendo assim jus ao género.
Embora espontâneo em Portugal, nas serras mais húmidas do norte, o azevinho está protegido, por lei (Decreto-Lei n.º 423/89, de 4 de Dezembro), do arranque e corte total ou parcial de exemplares selvagens. Assim, caso pretenda trazer para o seu lar, esta árvore de natal já “decorada” com as bolinhas vermelhas, deverá dirigir-se a um viveirista ou horto credenciado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para a venda dos azevinhos de viveiro.
Poupa nos enfeites, fica com uma árvore viva e… a natureza agradece.




Notícias relacionadas


Scroll Up