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A exortação apostólica do Papa Francisco

Evangelii Gaudium” (A Alegria do Evangelho) é uma Exortação Apostólica a que se pode aplicar também o título de encíclica, devido à sua extensão. Possui conteúdos belos relacionados com o evangelho e a alegria de o viver e divulgar. Aparece com um forte apelo à tolerância, à paz e ao envolvimento na ação missionária e apostólica. Um aspeto saliente é o que diz respeito à condução da sociedade hodierna. “A humanidade vive, neste momento, uma viragem histórica, que podemos constatar nos progressos que se verificam em vários campos.

Manuel Fonseca
8 Dez 2013

Todavia não podemos esquecer que a maioria dos homens e mulheres do nosso tempo vive o seu dia-a-dia precariamente, com funestas consequências. O medo e o desespero apoderam-se do coração de inúmeras pessoas, mesmo nos chamados países ricos”.
A Exortação convida a dizer não a uma economia de exclusão e de desigualdade social. Tal economia mata. “Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem-abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Não se pode tolerar mais o facto de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome”. Atualmente, grandes massas da população veem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspetivas, num beco sem saída. O ser humano é considerado descartável.
Afirma também que surgiram no horizonte político teorias que pressupõem que o mercado livre conduz ao crescimento económico e produz maior equidade e inclusão social. O Papa considera tais teorias vagas e ingénuas e não confirmadas pelos factos.
“A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. É a adoração do antigo bezerro de ouro, é a ditadura duma economia sem rosto”.
No nosso País fala-se muito na necessidade de crescimento económico e na diminuição de desemprego. Mas, ao mesmo tempo, introduz-se a flexibilização dos contratos laborais. Isso significa diminuição drástica da estabilidade de emprego e sem estabilidade como podem as pessoas e famílias assumir compromissos de compra de casa e de outros bens necessários ao bem-estar? E, sem esses meios, como podem as empresas desenvolver as suas atividades? Por outro lado, os programas de requalificação de trabalhadores da função pública e da nova avaliação dos professores que outra coisa são senão considerá-los descartáveis?
A encíclica do Papa vem na linha da doutrina social dos seus antecessores e é apelo aos responsáveis do mundo para uma conduta que crie condições de igualdade de oportunidades para todos os cidadãos, que são filhos de Deus e membros da imensa família humana espalhada pelo mundo.




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