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A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo

Comprei-o na Feira do Livro da Gare do Oriente. As Feiras de Livros tentam evitar vaticinado Fahrenheit 451. (Até 8/12 em Braga.). Li na viagem a obra de STIEG LARSSON, falecido em 2004. Póstumo pois este 2.º livro da Trilogia Millennium, Romance negro na linha de Le Carré e Hammett. 2006/2008, sueco/castelhano onde a cerilla antecede o bidon com que sonha a rapariga amarrada à cama, personagem que partilha o enredo com Lisbeth e Mikael, “heróis” da saga. Têm-se muitos, que calaram ou menorizaram as decisões com que o governo tem diabolizado o dia-a-dia dos portugueses, também eles (nós) amarrados, desprotegidos, impotentes para se (nos) oporem (opormos) à indignidade com que os (nos) tratam.

Gonçalo dos Reis Torgal
7 Dez 2013

Têm-se muitos, dizia, chocado, indignado até, com o alerta do Dr. Mário Soares para o vulcão a explodir quando acabar a paciência e o “ – Agora não, que eu acho que não posso…”. Dizem que incitou à violência. Não assim quando SS Francisco lançou igual alerta para o que só não vê quem não quer. Mas não fizeram da denúncia de SS 1.ª página de Jornais, notícia de abertura dos noticiários da TV, ponto central do falar de comentadores e politólogos (seja lá isso – os coveiros não são agora “técnicos de profundidade”? – o que for). Não se armou e alarmou com as palavras pontifícias a Igreja; as homilias dominicais não as aproveitaram para romper a monotonia que muitas são. O constatar da adormecida explosão que pode vir (virá) não foi entendido e deu aso à aversão que (com ou sem razão) muitos têm a Mário Soares de quem não sou fã, embora o haja acompanhado no histórico Comício das Antas que prosseguiu na inesquecível manifestação da Fonte Luminosa, luz ao fundo do túnel para suster o PREC.
PREC hoje como que renascido no leviano movimentar do Governo que, inimputável, legisla, como se Portugal fosse quinta sua e os portugueses servos da gleba. Os que se não inserem no clubismo governamental ou CPP reverencia ou teme, como o inefável Mexia que depõe desafectos Secretários de Estado, é claro.
O mesmo despautério. Um vê se te avias, lembrou aqui, o apreciado Dr. J.S. Rodrigues. Qualquer um se arroga de poder e desmanda. Vejam um Maçães, que na Grécia se opôs à Frente dos Países do Sul contra a hegemonia capitalista do Norte rendida à Alemanha. Voz do dono, para quem Portugal é zero e os Portugueses de somenos. Um Maçães, fruta podre ou degradada, cabulando do humor de António Lobo Antunes que, embora conhecido, não resisto a citar da Visão, com vénia à Revista e ao Autor. 
“Perguntam-me porque nunca falo do governo. Qual Governo? É que não existe governo, mas sim um bando de meninos. Existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé?”
Tem razão A.L.A.! Maçã reineta ou bravo de esmolfe, bem portuguesas, ficavam melhor num mandar subordinado a poderes estranhos. Nunca um governo juntou tanta canalha (no sentido de garotada, embora do outro longe não ande), mesmo se a idade civil jura que não. Só assim, casos como os Estaleiros de V.C.; exames de Avaliação dos Professores e outros mal tratos que a Educação tem levado da Dona Lurdes ao Crato, quiçá casto (nas ideias) mas pouco cauto; o ataque às Universidades; a iliteracia demonstrada ao escrever leis onde o não era foi; o escândalo do OAR (a Oposição cala?) e o acirrar-se contra os “velhos”, doentes e crianças culpabilizados pela incompetência face à crise, e outros casos para que falta espaço, se dão.  
Queiram ou não Mário Soares (reprovo o fácies ao acusar) e SS têm razão. O Mundo e Portugal são vulcões amuados. A gasolina espalhada está. O Fósforo, cá, nas mãos do TC. Se mais uma vez, no quê de partidário, “levar o governo ao colo” (Prof. Marcelo dixit) e deixar passar a Lei da convergência e o desumano OE. Se ainda há Portugueses, o fósforo acender-se-á.
Entretanto, autista, CPP diz-se no bom caminho. Razão tem Aristóteles: “o ignorante afirma, o sábio duvida, e o sensato reflecte”.




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