Fotografia:
Almas desabitadas

Num jornal diário de há dias, o ex-Presidente da República Mário Soares, sob o título de “O Papa Francisco e a Igreja portuguesa”, afirmava ser o Papa Francisco “alguém de excepcionalíssimo valor, porque ama sobretudo os mais pobres e os mais desfavorecidos, que detesta a austeridade, o capitalismo selvagem, entre outras virtudes Papais. Mário Soares está convencido que o país não sabe do que a “casa gasta”. Aprendeu-se com o passar do tempo a conhecer-se o político – não o homem – dos truques, dos arranjismos, do abastecimento e das reivindicações em benefício próprio ao longo de toda a sua vida e, só porque lhe deram um vinte e cinco do quatro, julga-se o maior, o sabedor e toca a elogiar sua Santidade o Papa Francisco para chafurdar no ataque ao atual Patriarca de Lisboa, afirmando que parece não gostar do Santo Padre ou que o detesta, por D. Manuel Clemente manter “um silêncio inaceitável em relação aos pobres e à austeridade” no país.

Artur Soares
6 Dez 2013

Tudo isto é politiquice. Não política limpa, com verdade, com inteligência e filosofia. Mário Soares nunca terá na vida dele, por muitos mais anos que viva, força moral e força da razão para chamar de “silencioso” a quem quer que seja da Igreja. A Igreja desde os primeiros tempos do cristianismo sempre esteve ao lado da pobreza, sempre a procurou minimizar, e ainda hoje assim é.
Mário Soares, inclusivamente é ingrato, e a ingratidão é filha do orgulho e da jactância.
Mário Soares sempre teve tudo na vida. Cresceu na burguesia, alimentou-se nela, viveu faustosamente em Paris, enquanto os pobres e os mais desfavorecidos mirravam cá, na sombra do seu (dele) egoísmo social e político.
Mário Soares vangloria-se dos socialistas terem salvado que “invadissem o Patriarcado”, pelos esquerdistas, como tentaram fazer em 1975. Mário Soares, ao ter participado nessa salvação, procurou salvar-se a si mesmo, às suas altas remunerações e privilégios e ao seu partido, uma vez que na “I República os socialistas sabiam que a República foi muito prejudicada pelo conflito entre o Governo e a Igreja”, caso contrário, nada tinha salvado, pois até é ateu, escreveu.
Mário Soares, ao chamar “colonialista” à Igreja de antes da Abrilada que lhe deram, consegue esconder ou esquecer que a vida que teve, que passou, o tudo que lhe foi dado, aconteceu, porque foi esta “Igreja Colonialista” que deu formação a seu pai e o lançou para a vida de que beneficiou material e socialmente.
Mário Soares desconhece que a Igreja nunca será “silêncio” em relação aos homens.
M. Soares desconhece que a Igreja Católica oferece a todos os homens os seus dons, serviços e bens materiais desde sempre, mas que não é do mundo que a Igreja é serva. Ela está sim ao serviço do mundo na condição de não depender dele. Tais dons, serviços e outros, não foi Ela (a Igreja) que o escolheu, mas sim o serviço a que Cristo consagrou a Igreja.
Mário Soares bem sabe que como ele há muita gente que acusa a Igreja de não ser eficaz, atual, ativa, contra tudo ao que a Soares convém. Enganam-se ou desconhecem que a Igreja só deve ser eficaz na denúncia, no apoio moral, na solidariedade, no amor e na partilha espiritual. Atentos e eficazes devem ser os Governos e as respetivas instituições que gerem. Mas por razões “que a razão desconhece”, tanto governantes como instituições, até fogem do povo e engrossam as carteiras à custa do povo, como M. Soares pode testemunhar.
Mário Soares, na crónica em causa, confessa-se ateu.
Nunca acreditei na existência de ateus. Creio que tal forma de vida, de ser ou de estar não passa duma teimosia, duma bebedeira de orgulho ou do medo que se transporta, procurando, por conveniências, alimentar.
O ateu conhece a existência de Deus e é capaz de O descobrir onde quer que esteja. Mas a grande parte do tempo, os ateus não conseguem reconhecer Deus: ou por distração ou por terem almas devolutas. Porém, perante a Igreja e frente à Igreja, um ateu sério consigo próprio nunca será um caso perdido.
Mário Soares afirmou ter havido prejuízo na I República por esta ter sido conflituosa com a Igreja. A maçonaria sempre teve conflitos sociais, económicos e políticos de forma acirrada em Portugal. Não é a maçonaria um grupo hermético, onde se promovem, que se abastecem economicamente e que não olham a meios para atingir os seus fins? Não é a maçonaria um grupo onde “comem tudo”, e que apenas dão aos pobres as migalhas que, por descuido, deixam cair abaixo da mesa?
Se M. Soares for sério consigo mesmo, se não tiver respeitos humanos e se não tiver medo…, facilmente passará de ateu a uma alma cheia de Deus se, deixar cair da cinta o avental de pedreiro que o colonializa.




Notícias relacionadas


Scroll Up