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A aluna vintage… volta a atacar

Em Agosto de 2011 escrevi no meu blog e foi publicado em jornais regionais um artigo que intitulei “ESVV – Colheita de 2011: Uma aluna vintage”. Referi-me nesse artigo a uma aluna que obteve classificações finais de vinte valores no 12.º ano em todas as disciplinas e nos exames nacionais de português e matemática. A aluna em causa, podendo optar pelo curso e universidade, escolheu “Ciências da Comunicação” na UM, ao invés de medicina como muitos lhe “sopravam”. E eu, como professor de educação física e diretor de turma, incentivei-a e aplaudi-a na escolha, porque sempre entendi que a melhor maneira de sermos felizes é fazermos aquilo que gostamos.

Carlos Mangas
6 Dez 2013

Uma colega ao comentar o meu artigo disse:
“Foi minha aluna no 10.º e 11.º e sendo eu a DT nunca vi tanta solidariedade, companheirismo e desprendimento por parte de um bom aluno. São geralmente competitivos ou pouco sociais, mas ela não, não é nerd nem betinha, nem nenhum desses estereótipos estabelecidos pelos alunos”;
Uma outra afirmou: “A aluna é, de facto, tudo isso e tudo aquilo que as palavras não conseguem expressar! Foi um privilégio ter sido sua professora de português durante estes últimos três anos. Agora, abram alas, que daqui sairá, com toda a certeza, uma senhora jornalista”;
Hoje, tive uma agradável surpresa ao receber uma SMS que dizia, e passo a citar “Professor, consegui o meu primeiro 20 universitário e este teve um sabor especial. Foi num falso direto de televisão conduzido pela professora “*****”. Foi a primeira vez que ela deu esta nota. Fiquei particularmente feliz e com a certeza que independentemente do que o futuro me reserva, já ganhei o curso e, já valeu a pena. Tinha de partilhar esta alegria consigo! Bjinho grande.”
É nestas alturas que nenhum ministro ou ministra da educação, por medidas mais incompreensíveis e incongruentes que tomem ou tenham tomado, me tira um sorriso de orelha a orelha e uma alegria incontida que senti necessidade de passar a escrito.
Uma aluna que cursa o terceiro ano do curso de ciências da comunicação na UM, lembrou-se, três anos depois de ter deixado a escola secundária, de partilhar com um ex-professor de educação física e ex-diretor de turma uma alegria imensa, a sua primeira nota vinte, na universidade.
Soube também, que foi premiada no 1.º ano, por ter sido a aluna que entrou naquele curso com a melhor média nacional e no 2.º ano por ter sido a melhor aluna do curso.
Estas demonstrações de qualidade e de carinho, provam-nos duas coisas: Na ESVV, escola pública da periferia de Braga, num concelho com algumas carências económicas e sociais, existem (e formam-se) alunos com elevadas competências académicas e humanas. Porque, perdoem-nos a imodéstia, preparamos também para a vida, seres humanos maravilhosos que sabem que a excelência do percurso estudantil, não advém apenas das notas que se conseguem, mas também da postura perante a vida e perante aqueles que os ajudaram a trilhar o caminho de sucesso.
A minha resposta à Cátia, assim se chama a aluna em causa, foi também por SMS, dizendo-lhe apenas: “A mim faz-me confusão que só ao fim de três anos esses professores universitários tenham descoberto aquilo que eu descobri num ano apenas: “Uma aluna vintage”. Bjinho de parabéns”.




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