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Sol na eira e chuva no nabal?…

Quando, aí por meados da época passada, alguns clubes das ligas profissionais de futebol, passando por gravíssimas dificuldades de tesouraria, deixaram de pagar os salários a jogadores e a técnicos, ou se atrasaram demasiado nessa obrigação – foram muitos os que vieram a terreiro insurgir-se contra o facto de, presumivelmente, os clubes portugueses “estarem a viver acima das suas possibilidades”. Muitas dessas vozes, fazendo uma analogia entre o futebol nacional e a situação de crise que assola o país, preconizavam fortes medidas de contenção nos clubes, apontando, designadamente, para a substantiva redução da média salarial de futebolistas e treinadores, e ainda para uma notória diminuição dos gastos no processo de aquisição de novos atletas.

Carlos Manuel Ruella Santos
5 Dez 2013

No final da temporada, vieram os mesmos críticos à praça pública incitar os clubes a não investirem em aquisições multimilionárias e a optarem por uma maior aposta na “prata da casa”, adquirindo para os seus plantéis futebolistas de clubes portugueses, evidentemente a preços “mais em conta”.
Os clubes – mesmo os chamados “grandes” – acabaram por seguir esta “política” de moderação de custos: reforçaram-se o menos possível com vedetas estrangeiros de elevado preço e contrataram predominantemente futebolistas nacionais, gastando bem menos nessas transferências do que em épocas transatas.
Estranhamente, nas duas ou três últimas semanas, quando começaram a “aquecer” os pretendentes aos lugares cimeiros da classificação, os mesmos críticos do “despesismo” têm vindo, nas suas colunas dos jornais e nos programas de televisão que protagonizam, a assestar fortes bordoadas nos dirigentes dos clubes que apostaram na “contenção” e, consequentemente, em jogadores de menor talento!
É evidente que essa redução de despesas tem acarretado custos, tanto nos resultados dos jogos até agora disputados, quanto nas sofríveis exibições das equipas, especialmente das que lutam pelo título ou por um “lugar europeu”.
Neste complexo processo, uma coisa é certa: há que optar por uma de duas realidades – ou os clubes portugueses seguem caminhos de novo-riquismo, correndo o gravíssimo risco de, a breve trecho, entrarem em insolvência e bancarrota, ao empenharem os anéis e os dedos; ou então decidem investir na moderação de custos, garantindo aos clubes uma saúde financeira que lhes permita uma “longa vida”, mesmo que isso acarrete visíveis custos nos resultados e na tabela classificativa.
Certo é que não há omeletas sem ovos. Sem bons (mas caríssimos) jogadores “internacionais”, não se atingem elevados patamares competitivos e vitórias permanentes. Mas também é verdade que, gastando à tripa-forra, alguns clubes nacionais correm o risco de “desaparecer do mapa” futebolístico.
Os dirigentes têm de optar. E os adeptos não podem exigir que haja sol na eira e chuva no nabal!




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