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Pela continuidade

No meu tempo não podíamos perguntar “em qual dos candidatos vais votar?” Agora podemos. Antigamente não podíamos dizer “dava-me jeito ser presidente do SC de Braga”; agora podemos. É que eu ainda sou do tempo em que nem um candidato tínhamos, quanto mais dois. Como não há fome que não dê em fartura, a tradicional carência de gente que “se chegasse à frente” parece ser, também ela, coisa do passado à qual os mais recentes associados não têm acesso pela via da memória.

Manuel Cardoso
5 Dez 2013

Realmente, cada vez está mais perto dos livros de história aquele tempo em que íamos ao estádio com o coração nas mãos com medo de descermos de divisão; daquele tempo em que, quando acabava o mandato do presidente lá tinham de andar o cónego Melo e o Engenheiro Mesquita Machado à procura de uma alma caridosa que tivesse a coragem de pegar naquela nau em mar agitado como era quase sempre o nosso SC de Braga.
Não há dúvida nenhuma que a situação atual, com dois candidatos “de peso” à direção é um facto histórico assinalável. É uma prova de maturidade do nosso clube. Mais do que isso, é uma prova de que o desafio já não é encarado apenas como um sinal de grande clubismo; é um sinal de que o nosso clube tem um projeto e uma perspetiva de futuro atrativa.
E também não tenho dúvidas de outra coisa: se chegamos a este estado, a António Salvador o devemos.
Não vou aqui fazer nenhum balanço da sua gestão nem isso cabia neste espaço; vou apenas lembrar o que era o nosso clube há pouco mais de uma década: uma média de 3 ou 4 milhares de pessoas nos jogos “em casa”. Hoje, um estádio com menos de 6.000 é um desastre. Não me lembro qual era o número de associados nas não ultrapassava certamente os 10.000. Hoje somos 30.000. O clube acumulava dívidas; hoje dá lucro. No aspeto desportivo recordo a ânsia com que aguardávamos as dispensas dos “grandes” para compor o plantel; recordo a “corda na garganta” nas últimas jornadas; recordo as queixas de atletas com ordenados em atraso…
Obviamente, ainda nem tudo são rosas e há muito por onde melhorar; mas grande parte das queixas que hoje ouvimos devem-se a uma verdade incontornável: é que hoje podemos pedir mais; hoje sonhamos com coisas que há 15 anos seriam impensáveis.
Já muitas vezes aqui assumi posições pouco favoráveis à gestão de António Salvador. É normal; Cristo que é Cristo não agradou a todos. António Salvador não é mais que Cristo. No entanto, críticas à parte, é em António Salvador que eu acredito para garantir um futuro de continuidade no caminho do sucesso.
Nada disto significa, no entanto, que despreze ou critique o aparecimento de uma oposição séria a António Salvador. A Nuno Carvalho ficamos a dever esta prova de braguismo ao candidatar-se à gestão do clube. Bem-haja pela vontade de fazer mais e melhor. No entanto, encaro o presente do SC de Braga como um momento de continuidade daquilo que de bom por cá tem acontecido. E, como diz a velha máxima do futebol, em equipa que ganha não se mexe…




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