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Os novos programas de Português

AOrganização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou esta semana os últimos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos – vulgarmente conhecido por “PISA”. Trata-se de um programa de natureza cultural e educativa, que avalia as competências dos estudantes de 15 anos nas áreas da matemática, das ciências e da leitura – com a prestação de provas de três em três anos. E desde que tal Programa foi implementado (no ano 2000), os alunos portugueses têm vindo a subir constantemente no “ranking” da OCDE. Não só nas ciências e na matemática, mas também na competência da leitura, vertente em que os estudantes lusos maiores dificuldades revelavam no início deste século.

Victor Blanco de Vasconcellos
5 Dez 2013

A evolução nesta última competência tem sido notória e a todos os títulos digna de louvor. Para isso tem contribuído uma série de medidas que, desde a implementação do PISA, foram sendo aplicadas nas escolas e cujos frutos começam agora a ganhar visibilidade. Entre essas medidas permito-me destacar três: 1) o plano nacional de leitura; 2) a dinamização das bibliotecas escolares; 3) a constituição de uma alargada listagem de obras literárias (de autores nacionais e estrangeiros), a partir da qual professores e alunos podiam escolher algumas para leitura obrigatória e complementar, quer nas aulas quer fora delas, tendo por base as motivações e “interesses” dos estudantes.
Para além deste tripé de medidas educativas, emanadas da administração central, também as escolas (os professores…) foram tomando imaginativas e inovadoras iniciativas, tendentes a alcançar o mesmo desiderato: “feiras” e “trocas” de livros, comunicações de escritores, interessantes ações de incentivo à leitura (como aquela de que o “Diário do Minho” se fez eco na passada segunda-feira, intitulada “Leva-me… lê-me… devolve-me…”, promovida pelo Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva, Vila Verde), etc.
Entretanto, terminou também no início desta semana o período de “discussão pública” dos novos programas escolares de Português que o Ministério da Educação e Ciência pretende implementar já no próximo ano letivo. Estes novos programas, segundo os especialistas (professores de Língua Portuguesa, com experiência firmada na lecionação, Associação de Professores de Português, etc.), apresentam sérios “obstáculos” à continuidade da política de promoção da leitura junto dos mais jovens. E isto porque, para além de complexas “metas” de conhecimentos a atingir pelos alunos, esses novos programas incluem uma restrita, obrigatória e obsoleta listagem de obras literárias que em nada motivarão os jovens para a leitura das mesmas.
Ora, se os especialistas em Língua Portuguesa, em Pedagogia e em Didática – que lidam diariamente com os alunos – vêm realçar estes “obstáculos” à promoção da leitura contidos nos novos programas, será um erro crasso que, em nome de uma estranha “política educativa” arcaica, se queira destruir em pouco tempo um “edifício” que tanto custou a erigir. A não ser – para continuar a culpabilizar os professores?… – que se pretenda promover a incompetência dos alunos nesta área! Ou alguém acha que obrigar jovens de 15-16 anos a saborear obras como “Eurico, o Presbítero”, de Herculano, os motivará para a leitura?




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