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A obrigação natural das relações humanas

As pessoas são muito relevantes na nossa vida. “A sua família é um dos elementos mais importantes da sua vida. Talvez seja a melhor coisa que você tem, embora muitas vezes lhe não dê o justo valor” – afirmou Bing Crosby. Todos nós podemos contribuir para o bem da sociedade, formando o carácter moral, conservando a nossa família em segurança e bem cuidada, cumprindo as nossas obrigações, participando inteligentemente em atividades sociais úteis, não nos calando perante as forças adversas e, quando for o caso, combatendo-as pelos meios de que dispomos. Mas, uma grande fatia das pessoas não tem essa coragem, acobardando-se, por interesses suspeitos, por respeitos humanos ou por medo.

Artur Gonçalves Fernandes
5 Dez 2013

Muitas delas não refletem que essas atitudes são percebidas pelos outros. A história do homem está indelevelmente escrita nas suas feições. A sua cara mostra as marcas do carácter interior. “O mal e o bem ao rosto vêm” – lá diz o ditado antigo. As más ações põem o selo de propriedade nas vítimas do vício. Entre os fatores de perturbação do tempo presente são citados os homens sem rosto. Eles veem-se por todo o lado. Possuem feições, mas o rosto manifesta falta de vida e o aspeto fechado assemelha-se a sonâmbulos. Denotam ausência de motivação por qualquer sentimento positivo. Tudo isto deriva do instinto de proteção e da fuga ao contacto. Qualquer que seja a designação escolhida, é tanto a causa como o resultado de uma solidão e de uma alienação imensas no meio da multidão, que se transformam na passividade do nihilismo ou no exercício da agressão. Isto é visível por quantos andam nas ruas das nossas cidades ou vilas à procura de um rosto com alma. Estamos a criar cidades de autênticos náufragos, mentecaptos, viciados em droga, criminosos, maníacos sexuais, corruptos e gananciosos insaciáveis. Enquanto uns vivem guiados pela ambição desmedida, outros vegetam como lâmpadas fundidas, sem objetivos e sem sentido algum na sua vida. O homem, na sua cegueira e na sua estupidez crassa, cometeu o erro terrível de investir tudo o que tinha em coisas aparentes. Estamos a espalhar sementes de depravação e de maldade sob a capa da liberdade de expressão. Encontramo-nos, na verdade, em guerra contra nós próprios. Estamos a cavar a nossa autodestruição. É quase inacreditável que a vida pudesse ter mudado tão radicalmente em tão poucos anos. Não admira que uma geração inteira tenha olhos sem brilho e a pele baça das noites mal dormidas, e morra antes que o fruto verde da vida tenha tempo de amadurecer. Encontramo-nos numa revolução social em que a sã convivência, a igualdade de oportunidades, o civismo, a educação e a religião estão a ser atacados por todos os lados. Chegará o tempo em que o tesouro público será apropriado por incompetentes, por gente sem escrúpulos que confiscarão os nossos bens. Nestas nossas sociedades encaixa, que nem uma luva, a imagem de Diógenes que, em pleno dia, andava, com uma lanterna acesa, no meio da multidão, à procura de um “Homem”. Quantos “homens” é que ele hoje encontraria?




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