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Um manifesto contra o instalamento

1 O Papa Francisco não é diluente. Afinal, o Papa Francisco até se mostra muito acutilante e bastante exigente. Não abandona nenhum elemento da doutrina. E insiste imensamente no testemunho de vida. 2. É preciso que a Igreja deixe de se referir a ela mesma. É fundamental que a Igreja saia, que vá ao encontro. Que pare junto das pessoas. Que, sem excluir ninguém, dê prioridade aos mais pobres, aos que estão nas periferias. 3. O Papa não quer uma Igreja sentada, consumindo o tempo apenas em congressos, simpósios e reuniões. Ele pretende uma Igreja de joelhos e de pé. Enfim, uma Igreja orante e caminhante

João António Pinheiro Teixeira
4 Dez 2013

4. Neste sentido, prefere «uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças».
Para isso, é urgente que a Igreja emagreça – e agilize mais – as estruturas.
5. É imperioso que o Evangelho perpasse, que nunca se desfaça e que sempre nos refaça.
É decisivo que as energias se gastem na missão e não se desgastem em tantas adiposidades que os séculos foram introduzindo.
6. A leveza do Evangelho reclama uma cura da obesidade burocrática que tão aprisionados nos retém.
Não raramente, parece que vivemos entalados entre uma bulimia funcionalista e uma anorexia vivencial.
7. O Papa oferece-nos uma exortação apostólica, mas o seu impacto não será seguramente inferior ao de uma encíclica.
É um texto que vem na sequência do Sínodo dos Bispos. Mas as marcas impressivas de Francisco estão lá.
8. A «Evangelii gaudium» é, além do programa de um pontificado, uma espécie de «manifesto contra o instalamento».
Ela convoca-nos para a renovação da Igreja e para a transformação da humanidade.
9. Num mundo diferente, a Igreja não pode ser indiferente.
Ela tem de fazer coro com quem diz «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social. Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia».
10. No deserto em que o mundo se tornou, os cristãos são chamados a ser «pessoas-cântaro para dar de beber aos outros».
Assim imitaremos Jesus, «o evangelizador por excelência e o Evangelho em pessoa, que Se identificou especialmente com os mais pequenos (cf. Mt 25, 40)».




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