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Jesus Cristo manifestador do homem e o homem manifestador de Deus

Como laico, merecedor, talvez, aqui ou ali, de uma reprimenda, vou colocar o homem total num movimento de rotação à volta de Jesus Cristo e vou colocar o homem num movimento de translação à volta de Deus. A razão dos respetivos movimentos apoia-se nas idênticas e autênticas naturezas humanas de Jesus e dos homens. Quanto às naturezas, elas são idênticas na unicidade dos predicados transcendentais e na sua constituição, vestida de corporalidade espiritualizada, embora Jesus seja uno na Sua divina humanidade. No meu entender, porque o desconheço, nem os Profetas, nem os discípulos de Jesus, nem a Sua Santa Igreja, explicitaram, ao longo dos tempos, esta humana natureza, autêntica, concreta e transcendental de Jesus e do próprio homem.

Benjamim Araújo
4 Dez 2013

Os predicados transcendentais, imanentes à natureza autêntica de Jesus Cristo, são a vida, a luz, o amor, a sabedoria, o poder, a felicidade, a autenticidade, a verdade, a justiça, a beleza, a misericórdia, o perdão… Assim serão, por identidade de naturezas, os predicados transcendentais da nossa natureza humana. Esta identidade, pelo vigor da sua autoridade e autonomia, justifica e decreta o movimento de rotação do homem global(existencial e transcendental) à volta de Jesus. As exigências, autónomas e livres, da nossa natureza humana, também exigem e decretam, à nossa passageira existência, o movimento de integração e de atualização progressiva à volta de si mesma. É, também, através desta identidade, que o homem global, pelo concurso da sua meditação e intuição, se translada para a identidade pura, absoluta e infinita de Deus.
No campo existencial, a diferença radical entre Jesus e nós homens  está no reconhecimento evidente da Sua identidade, sem ruturas, expressa no percurso da Sua existência. O mesmo não acontece, no viver, aqui e agora, do homem concreto, excetuando a Mãe de Jesus. O que sai do viver existencial dos homens? São os enxames de vespeiros conflitos, temores, angústias, ansiedades e desesperos; são os filões de dor e as torneiras abertas de sofrimento. É isto o que todos os dias se passa em nós, embora dissimulados por montões de erva doce perfumada. Toda a mudança, no seu resplendor, está entre os dedos corajosos da virtude para restabelecer a identidade com o seu ser, no fluir da existência e ao selecionar os contrários. Então, o nosso ser existencial, manifestador do seu ser autêntico, eclode de alegria em ondas encapeladas de ardentes louvores a Deus.
Santo Inácio, o inspirado fundador da prestigiosa e santa Companhia de Jesus, chama alegria à consolação espiritual. Chama consolação ao movimento interior da alma, quando se inflama em amor pelo seu Criador e Senhor(…).Chama  consolação a todo o aumento de esperança, fé e caridade e a toda a alegria interna, que chama e atrai(…) a própria saúde da alma, aquietando-a e pacificando-a no seu Criador e Senhor.
À afirmação arrebatadora de Santo Inácio, vou acrescentar que a alegria interna é, cabalmente, o resultado da manifestação consoladora da nossa espiritualidade corporalizada, integrada no Criador. Esta espiritualidade do nosso ser ôntico supera a alma, bem como a união da alma com o corpo. Com esta espiritualidade evitam-se as malditas cisões dos dualismos e a prepotência dos seus extremismos(espiritualismos e materialismos), que tantos conflitos e dissensões trouxeram e continuam a trazer às intelectualidades ocas do laicismo e do clericalismo.




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