Fotografia:
Dallas, foi há 50 anos

1 – O renascer do apagamentoda verdade). O grande
público de hoje, nesta lamentável
fase da História
mundial, lê pouco e aprende
sobretudo pela comunicação audiovisual,
pelos computadores e pela
televisão. Tenho assim acompanhado,
nos canais de TV tidos por
mais vocacionados para a divulgação
da História, um tratamento superficial
e telenovelesco do tão debatido
tema das razões e dos autores
do famoso atentado que vitimou
John F. Kennedy, na Dealey
Plaza, em Dallas (Texas), a 22 de
Novembro de 1963. Inclusive a respeitável
National Geographic Society
(que é o único clube de que sou
sócio, e vitalício, desde há bastantes
anos) pactuou em patrocinar
uma versão romanceada e ficcional
dos 2 anos que durou a presidência
de JFK, com actores que nem
sequer se pareciam muito com o
original.

Eduardo Tomás Alves
3 Dez 2013

2 – O atentado de Dallas, antes e
depois da sequência de Zapruder
e do filme “JFK”). Foi apenas no
ano de 1991 que se desfizeram as
dúvidas que ainda podiam subsistir
de que o atentado de Dallas fora
fruto de uma conspiração e não de
um acto isolado. Nesse ano, o notável
filme de Oliver Stone (n. 1946)
salientava o papel do teimoso procurador
Jim Garrison, de Nova Orleães,
na descoberta da verdade e
na denúncia das teses fictícias defendidas
pela “comissão Warren”,
encarregada em 63 de deslindar o
assunto. Desde 91 que se sabe que
esta comissão procurou encobrir a
verdade e defender a tese do atirador
isolado (um tal Oswald). Para
isso ignorou montes de depoimentos
que “não se ajustavam” a essa tese. Inclusive, desprezou a prova
cabal que resultava do filme particular
de uma das centenas de
pessoas presentes no local. O seu
nome era Abraham Zapruder, um
costureiro judeu que se apresentou
3 dias depois às autoridades com
uma pequena mas nítida sequência
de imagens a cores, em que se
percebe sem dúvida que Kennedy,
já ferido no pescoço por um tiro
vindo de trás, recebe na têmpora
direita um brutal balázio vindo da
frente, abrindo-lhe logo aí a cabeça
e projectando-a com força para
trás (como se levasse um soco).
Ora esse tiro fatal (o 4.º) é disparado
de perto de um viaduto, ou
desde um muro muito baixo, acima
de uma pequena elevação relvada
e com arbustos (o “grassy
knoll”).
3 – O ainda duvidoso papel de
Oswald). Os 3 primeiros tiros, que
vieram de trás, devem ter sido disparados
do 6.º andar de um prédio,
que era depósito de livros. A carabina
usada, essa parece ter sido
a de Oswald. O qual, com a ajuda
de um vizinho e colega de trabalho
não implicado, a transportou
no carro em que o vizinho lhe
deu boleia. Se foi este Lee Harvey
Oswald (um jovem de 24 anos que
viveu 2 anos em Moscovo e era
casado com uma russa, e que ou
era comunista ou agente duplo), se
foi ele que disparou ou outras pessoas,
não se sabe. Certo é que, na
confusão ele abandonou o local e
a arma e foi esconder-se num cinema.
Parece hoje provável, contudo,
que no caminho terá, isso sim,
matado a tiro o agente Tippet, que
a bordo de um carro da polícia o
mandara identificar-se. Foi no cinema
que Oswald foi depois preso. Interrogado,
sempre negou que tivesse
sido ele a matar Kennedy. Revelou
que percebera tarde que o seu papel
era o de bode expiatório (“patsy”).
E nada mais pôde contar, porque 2
dias depois era morto a tiro dentro
da esquadra por Jack Ruby, um judeu
gordo e instável, ligado à Máfia
e dono de um “cabaret”.
4 – O atentado foi uma vingança
da Máfia e algo mais). O notável
patriarca dos Kennedy, o milionário
Joseph Kennedy (1888-
-1969), foi banqueiro, investidor em
Hollywood, embaixador em Londres
(37-40), vendedor de bebidas alcoólicas
durante a “Proibição” e teve
negócios lícitos (e outros) com os
italo-americanos. Ele próprio queria
ser presidente; mas desistiu, por ter
tido no passado simpatias pelo Fascismo.
John Kennedy, seu filho, foi
muito apoiado pela Máfia na eleição
de 60, em cidades como Chicago e
outras. Só que, eleito, escolheu Robert
Kennedy, o seu muito notável
irmão, para min. da Justiça. E este
passou a perseguir a mesma Máfia
como se nada lhe devessem. Para
mais, o galego Fidel Castro acabara
de erradicar os altamente rentáveis
casinos mafiosos na nova Cuba comunista.
E JFK não aceitava invadir
Cuba. Kennedy era também pouco
popular no Texas e no Sul, por ser
favorável aos direitos cívicos dos
negros (aliás também era contra
a presença de Portugal em África,
ao contrário de Nixon). É também
provável que o chamado “complexo
militar-industrial” (denunciado por
Eisenhower já nos anos 50) tenha
dado uma pequena ajuda, ao menos
no que respeita ao encobrimento. E
com este fim, alega o filme de Stone
(91), foram depois mortas bastantes
mais pessoas.




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