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Melhor Centro de Saúde

É convicção unânime dos utentes que os Centros de Saúde não funcionam, na generalidade, como devem. Podíamos estar melhor, pelo menos no segmento qualitativo. Culpa de quem? Não importa. O que interessa agora é lançar o desafio aos responsáveis no sentido de criarem novos modelos de gestão que visem a eficácia do funcionamento destas estruturas de saúde pública e que criem um maior elo de satisfação entre o prestador e o utilizador desses serviços. Pretende-se apenas salientar alguns reparos e fazer sugestões, sem menosprezo por todo o esforço que está a ser feito para a melhoria dos Cuidados Primários.

Albino Gonçalves
2 Dez 2013

Atualmente, com a imposição dos cortes orçamentais no Serviço Nacional de Saúde, admite-se algum constrangimento das instituições deste setor em conseguirem atingir objetivos melhorados e adequados às pretensões dos utentes. Objetivos que passam também por proporcionarem maior dignidade e maior confiança relacional entre os profissionais de saúde e os seus anseios para debelar as doenças.
Sabemos que os Centros de Saúde representam o motor do processo de Cuidados de Saúde Primários geograficamente em todas as áreas envolventes da sua intervenção. Questiona-se então as razões por que ficam longe deste papel. Geralmente há uma chave de resposta que provém dos “agentes politicamente nomeados” nos cargos de direção, alegando eles como causa principal a falta de recursos humanos. Em especial é a grave carência de enfermeiros e de médicos com disponibilidade de tempo suficiente para irem ao encontro das necessidades dos utentes…
O acolhimento das pessoas por parte dos colaboradores administrativos e auxiliares podem e devem melhorar, as perdas de tempo e outros prejuízos causados aos utentes podem e devem ser evitados (às vezes basta um alivio da burocracia para que isso aconteça…), já que esses atavismos existem apesar da forte implementação dos meios informáticos nos Centros de Saúde e Unidades de Saúde Familiar.
Não menos importante, é de registar a má articulação entre os Centros de Saúde e os Serviços Hospitalares (ou outros meios de Cuidados Diferenciados) da respetiva área. Há uma dificuldade acentuada na partilha da informação clínica em ambas as partes. Em vez do apoio mútuo na troca de dados, o que se constata muitas vezes é a existência de serviços que estão de costas voltadas, o que acarreta graves consequências para as pessoas que procuram esses serviços de saúde.
Se é verdade que os comportamentos das pessoas em matéria de saúde são muitas vezes incorretos, não podemos esquecer a responsabilidade institucional na enorme distância entre o que se faz hoje nos Centros de Saúde e o que deveria realizar-se em Cuidados de Saúde Primários. E não podemos ver um Centro de Saúde como um mero local de expedição de receituário, medição de tensão arterial, requisição de meios complementares de diagnóstico terapêutico, emissão de baixas médicas, aplicação de injetáveis, etc.. Um Centro de Saúde tem potencial para ir muito mais longe!




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