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A prova da desconsideração

Este governo tem feito algumas coisas que dão para o espanto; algumas são esbulhos, outras são confiscos. Mas depois das finanças rapaces, a prova para os professores ultrapassa tudo o que imaginar se possa. Então professores com décadas de lecionação, tendo dado sobejas provas de competência, sendo muitos deles louvados e estimados pela sociedade escolar envolvente, têm agora que se submeter a uma prova de cruzinhas e redação, género provas ad hoc, e depois a uma prova específica para provar o quê? E se por mero acaso não ficarem aprovados, os alunos que eles já aprovaram, e agora até já são seus colegas, vão ficar com as suas avaliações comprometidas uma vez que foram aprovados por professores reprovados?

Paulo Fafe
2 Dez 2013

Como se fosse um diretor de serviço que tivesse despachado fora das suas competências legais, tornando nulo e de nenhum efeito os despachos exarados? Isto, na verdade, para lá da habilidade de falidos, é uma enormidade de todo o tamanho. Mas este professores já foram avaliados muitas vezes! Isso não vale nada? E os professores que os aprovaram nos estabelecimentos de ensino superior não souberam avaliá-los? Como é isto? Todo o sistema está em reprovação? Nem aos candidatos a professores isto tem razoabilidade, mas habituados que estamos às idiossincrasias dos ministros, vá lá com o diabo. O que talvez fosse de aplicar a quem começa era um exame psiquiátrico para ver se eles suportam psicologicamente a falta de educação dos alunos, as agressões dos mesmos, a falta de compreensão dos pais, as enormes deslocações, a imigração anual, os desencontros familiares  e os desatinos legais dos sucessivos  ministros da educação. É que é preciso ter uma dose muito forte interior para poder resistir a tantas e tão variadas agressões psicológicas que um professor sofre durante trinta, quarenta anos de docência. Agressões e desconsiderações muitas, felicitações ou reconhecimentos nenhuns. Isto cansa, satura e desgasta. Perguntem aos consultórios psiquiátricos quantos professores têm como clientes. O sr. ministro Nuno Crato faz-me lembrar Karl Humboldt, – o que pugnou pelo desenvolvimento integral  com vista a uma harmoniosa formação do caráter – que dizia ter cinco teorias para educar os filhos e teve cinco filhos e nenhuma teoria para os educar. É que quando escutávamos o sr. professor  na TV a desbobinar teorias educativas , dava  a impressão que tinha um projeto educativo para este país; afinal verificamos que  o senhor professor Nuno Crato é um Karl Humboldt da educação nacional: muitas teorias antes de ser ministro e nenhumas certezas depois de o ser. A educação tem de cortar, está sujeita ao orçamento do estado, sabemos que nenhum setor pode ficar de fora, mas não inventem, contem a verdade, não se ridicularizem com “inventonas” deste teor! Os professores não têm medo à prova, o que os vexa é este expediente de chico-espertos, o que os arrelia é tornarem-nos por néscios e ineptos. E saiba que essa mensagem de menosprezo a que vota os docentes passa para o público e daí à desconsideração social não vai senão uma furtiva oportunidade. Já agora lembro-lhe, senhor ministro Nuno Crato, que na antiga quarta classe, quem desse mais de quatro erros reprovava. Uma aluna do nono ano fez a prova modelo que querem aplicar aos professores, a parte das cruzinhas; acertou em todas elas e perguntou à sua professora ironicamente: já posso ser professora?




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