Fotografia:
As primárias, diretas, ou o que lhes queiram chamar!

Porque há quem, dentro dos partidos políticos, defenda as primárias. Uma espécie de diretas. Algo que tem que ver com a possibilidade de o eleitorado em geral se pronunciar, votando, sobre o candidato que quer que cada partido apresente, independentemente da vontade dos seus membros, para depois em eleição geral votar para o cargo que irá desempenhar, que no caso de Portugal reporta aos cargos de: Presidente da República; Deputado na Assembleia da República; Deputado no Parlamento Europeu; Presidentes de Câmara Municipal; Presidentes de Assembleia Municipal; Presidentes de Junta de Freguesia! Num processo metodológico dúbio em que, se por um lado, defendem a abertura dos partidos políticos à sociedade civil como se estes de organizações militares ou militarizadas se tratassem!… e não fossem os mesmos uma forma de organização aberta a todos os cidadãos.

António Fernandes
1 Dez 2013

Por outro lado, pretendem destruir os mecanismos que permitem ao cidadão comum, organizadamente, assumir liderança e candidatura a cargo de poder político. E pretendem-no, utilizando a demagogia que o populismo comporta em defesa académica, subtil, mas acérrima! Tanto no plano interno como no plano externo! O que mais parece um movimento organizado em complot de interesse, visando objetivo claro de perpetuação no poder dos seus ocupantes desde que a máquina de suporte o permita. E os substitua quando não forem servis o suficiente.
Esta premissa para além de obscura coloca questão de fundo na sua exequibilidade uma vez que por cada ato, que já de si são vários, e que em muito contribuí para o desinteresse participativo em cada um deles, tornar-se-ia mais penoso uma vez que colocaria em dobro as diversas eleições em si.
Teremos, assim, o esvaziar contínuo nos partidos da sua base de militância partidária, uma vez que todo os seus contributos em trabalho voluntário se esfuma num processo para que não contribui, salvo o direito a votar, mas ao qual estão sujeitos, escolhido que seja, pelos cidadãos em geral, o candidato em que até nem votaram mas que terão de defender por coerência pessoal com o partido político a que estão vinculados.
Este método vem “matar” a democracia do tipo parlamentar vigente e que assenta nos partidos políticos enquanto organizações de cidadãos, com vocação do exercício do poder e de alternativa ao modelo social, na justa medida em que os afasta por deixarem de ser úteis à escolha.
Os partidos políticos deixarão de ser o centro da discussão em torno do modelo social pretendido.
Passando o protagonismo para intervenientes a título individual em que a popularidade se torna mais interessante do que o conhecimento.
O núcleo duro do tipo lóbi se encarregará da promoção e do lançamento dos seus próprios candidatos da forma que melhor ajuizar assegurando que o “bolo” das receitas públicas e dos negócios não lhes fugirá do controlo.
Esta linha de orientação já vem de há muitos anos a esta parte. Simplesmente, até há bem pouco tempo atrás, a estratégia foi sempre a da tomada e controlo das lideranças partidárias. Numa segunda fase foi a do lançamento de grupos de cidadãos sob a sigla de “independentes”. E hoje em dia já é a da substituição da orgânica estrutural dos partidos políticos concentrando o poder interno no indivíduo e colocando este em posição de ser eleito por massa acrítica por ser de mais fácil controlo através dos meios conhecidos.
Neste contexto e perante estes factos, fica o dilema:
– O que fazer?!
Acredito que, independentemente dos métodos, e tendo em atenção a época conturbada em que vivemos, se torna necessário o  ordenamento mental, atrofiado por um misto de maledicência e auto convencimento sobranceiro sobre os demais, que “reina” na tipificação e também no conceito e nos valores. A situação a que chegaremos originará condicionalismo de circunstância de tal forma latente ao ponto da incondicional necessidade da sobreposição à mediocridade com tudo aquilo que a sociedade em geral puder deitar mão no sentido de a combater. Sendo que a educação é o primeiro pilar!
Até porque: os protagonistas passam e a  vida continua!
Obviamente de que o retrocesso civilizacional é sempre possível. Momentaneamente, é certo.
O que nunca será possível é apagar da memória humana o registo de vida e da sua transmissão intergeracional. Um saber acumulado por ciclos de gerações de vida inteiras, em contextos diversos, e que fazem na sua conjugação a base de todo o edifício que é a civilização!




Notícias relacionadas


Scroll Up