Fotografia:
Argumentos contra a prova de avaliação para professores contratados

Os professores contratados irão submeter-se a uma prova/exame, supostamente, com a intenção de avaliar as suas competências para o exercício da profissão. A prova é para todos os professores contratados, com mais ou menos tempo de serviço, com mais ou menos habilitações. A não aprovação na prova retira ao professor a hipótese de ser candidato no concurso nacional. A prova, na realidade, não é apenas uma, mas sim duas: uma avalia a componente geral, e é igual para todos os docentes, e outra, uma componente específica, diferente para cada grupo de docência. Cada professor vai pagar 20 euros para realizar uma prova obrigatória definida pelo MEC. E a questão que se coloca é a seguinte: faz sentido uma prova destas, para professores que já foram avaliados ao longo dos seus cursos, à saída da universidade e durante o seu trajeto profissional? Em minha opinião, com base nos argumentos, de natureza diversificada, que apresentaremos de seguida, acho que não faz sentido nenhum.

José Precioso e Teresa Sousa
1 Dez 2013

Argumentos Científicos.
1) Carência de fundamentação técnica, científica ou pedagógica.
A necessidade da realização da prova não emanou de avaliações do processo formativo dos professores. Não se baseou em estudos ou investigações levadas a cabo pelas instituições responsáveis por essa formação. Aliás, para a implementação desta prova não foram sequer consultadas as universidades, os politécnicos nem as escolas superiores de educação e, por isso, o MEC põe em causa a credibilidade dessas instituições.
2) A prova não tem validade de conteúdo.
A componente comum avalia o raciocínio logico-matemático, a capacidade de resolver “problemas” (que não são verdadeiros problemas), a interpretação, a capacidade de comunicação escrita, entre outras competências que são sem dúvida importantes, mas para todas as profissões, não especificamente para os professores. Esta prova não avalia as competências relacionadas com o saber fazer, porque essas só são demonstráveis em contexto de sala de aula. Foi precisamente nesse contexto que todos os professores contratados demonstraram capacidade para a docência, já que todos fizeram estágio, no qual lecionaram aulas supervisionadas e nas quais foram avaliados.
3) É uma prova pontual.
Como tal há sempre um enorme risco de fornecer um resultado pouco fiável, pois o examinando está sujeito a fatores que podem afetar muito negativamente o seu real desempenho, dando uma falsa ideia do seu valor (Que nível atingiria o Cristiano Ronaldo pelo seu desempenho em alguns jogos?). Utilizar uma prova pontual para decidir o futuro profissional das pessoas é tecnicamente incorreto e pode ser muito injusto.
Argumentos relacionados com a Igualdade.
Por que razão apenas os professores contratados, e não todos, têm que prestar provas? Esta prova vem reforçar a discriminação entre professores contratados e professores do quadro. E porque não alargar a prova a outras profissões, como médicos, enfermeiros, polícias (provas físicas, por exemplo) e outras profissões?
Argumentos Económicos.
Quanto custa esta prova a um país cujo governo afirma não haver recursos para ter todos os professores necessários nas escolas e que por isso é preciso reduzir os gastos com o pessoal docente e não docente? Quanto custa em termos de tempo, de trabalho, de custos, de logística, etc., seja para os professores que a vão fazer, seja para os que a vão corrigir?
Argumentos relacionados com a saúde.
Esta prova vai realizar-se no final do primeiro período de aulas, altura em que os docentes estão já muito cansados. Os professores corretores perderão imenso tempo e desgastar-se-ão. É muito provável que quer professores avaliadores quer avaliados entrem num período de grande stress e ansiedade, com repercussões na sua saúde mental e física.
A demagogia.
A realização desta prova é inseparável da vontade do governo de reduzir o investimento na educação e, portanto, do objetivo de eliminação de milhares de professores contratados que fazem falta no sistema público de ensino para uma Escola de qualidade.
É um absurdo pôr em causa num dia o passado, o presente e o futuro. Esta situação da prova para os professores contratados é tão insólita e tão intelectualmente insolente, que merece forte indignação e vigorosas formas de a ela resistir.
Nota: Gostava de sublinhar o facto da prova se realizar no dia 18 de Dezembro, uma altura em que os professores estão a terminar as avaliações dos seus alunos. O que quer dizer que ou se preparam para a prova, ou avaliam os alunos.




Notícias relacionadas


Scroll Up